sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Em tempo de festa

Parei nos 68 a um "cagagésimo" do IMC ideal. Não que tenha parado o caminho para atingir o objectivo a que me propus mas porque decidi soltar um pouco as "amarras". Uma ida à capital que não me permitiu levar a marmita atrás ( e a oferta, nos comes e bebes, acaba por ser sempre a mesma, muito pouco compatível com a minha dieta) e a chegada da feira, ditam a pausa nos próximos dias.

A feira. O marco no calendário de quem nasceu em Grândola e que determina, sem sombra de dúvidas, o fim do tempo de Verão. Mesmo que existam ainda férias para se viver, é certo que os dias não saberão ao mesmo tempo de Verão que até aqui. Já iniciámos a época de diversões ( ninguém consegue aguentar os miúdos depois que o som se começa a propagar pela vila, e eu entendo isso) o que me leva de volta exactamente às mesmas emoções que encontro nos meus filhos, nas suas expressões, naquele nervoso miudinho de querer ver tudo e experimentar tudo, como se a feira se fosse esfumar, diante dos seus olhos a qualquer momento. Eles ainda não sabem, mas eu já sei, que há coisas que se vão repetir incessantemente no tempo até deixarem de ter as mesmas cores, as mesmas vibrações, até deixarem de produzir aquela sensação indiscritível que são os dias de feira enquanto somos miúdos. Os intervalos anuais, que agora lhes parecem um tempo infinito vão começar a encurtar e para além das mostras de artesanato, que vão mostrando o que se faz, e do turismo, que vão mostrando o que se fez, tudo o mais se resume a reencontros, de gente que aproveita estes dias para se reencontrar com a criança que foram outrora ou com os amigos, que para além das distâncias estão sempre perto porque ficam dentro, bem dentro, do coração. Talvez seja por isso que nos dias de feira me lembro quase sempre de quem me faz falta mais perto, e nesses dias faço das tripas coração para os encontrar. Nem que para isso os objectivos mais imediatos fiquem um pouco esquecidos. Afinal, as festas devem fazer parte da vida, sempre, e quando são poucas devem ser aproveitadas no ideal das capacidades.  Que venha, a maior feira festa do Litoral Alentejano, que eu estarei cá à sua espera.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Nos mínimos

Saímos disparados como se de uma cisão de um núcleo atómico se tratasse. Separamo-nos a alta velocidade, chocando com outros , por aí. De tanto chocarmos aposto que muitas vezes parecemos galinhas. É assim agora. O tempo deixou de ter tempo para nós.
Passo os dias cuidando do que não é meu, deixando os meus, a alta velocidade. Tenho saudades da calma, dos meus dias, da paz e do sossego confortável de um canto onde possa estar, eu e os meus. O que dantes me era agradável fazer hoje não passa de uma obrigação a contra-gosto, necessária para manter de pé a estrutura familiar que criei. Criei e não seguro. Sinto-me como uma triste peça atómica navegando no espaço à procura do seu núcleo, perdendo energia de cada vez que a distância que fica entre o sonho e a realidade, chocam no meu pensamento. Custa-me que os senhores da conjuntura gastem as preciosas peças que ainda vão tendo, em contas mal feitas. Que nos façam sair disparados, por toda a parte, sofrendo ( que iremos, a longo prazo, gastar mais do que eles querem que produzamos agora).
Não sonho com férias, nem com luxos, nem tão pouco com qualquer das coisas que sonhava anteriormente. Sonho comigo, com os meus filhos e com o tempo que lhes nego em prol de uma conjuntura estranha que pouco mais me dá do que trabalho.
É difícil por estes dias, manter de pé mais do que esta vontade e a esperança cega de que melhores dias virão. Sonho com o tempo em que terei tempo e em que o tempo será gasto não a ganhar mas a perder: a perder-me naquilo que é meu, naquilo que me dá prazer, no que é a razão de manter de pé a esperança. Não quero chegar a lado nenhum. Quero ficar onde estou, vivendo, em vez de sobreviver aos ataques serrados a tudo o que define a qualidade de uma vida. Talvez peça demais dadas as circunstâncias, mas os dias passam, seguros de si, e a vida fica por cumprir.
São os mínimos, sr ministro, são os mínimos... São os mínimos que não se cumprem, que esgotam os enfermeiros, esses mínimos que o sr teima em não cumprir...

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Party time...

Cefaleia ligeira, boca a saber a papel de música...humm, suspeito que se confirma, ontem foi dia de festa!!
Ora aí está uma coisa que já não acontecia à algum tempo e deu para tudo ( às vezes os dias podem ser enormes, sem darmos por isso) . Família,  diversão,  dia da asneira ( não houve dieta para ninguém) encontrar amigos que parecia estarem perdidos nas distâncias do tempo mas que afinal estão mesmo ali à esquina da vontade de os encontrar e risos muitos sorrisos e gargalhadas ( tão bom para a alma) . Pelo meio ainda matei a saudade dos alvos e pontarias e confirmo que ainda era moça para atirar certeiro ( aguardo ansiosa a chegada do paintball !!!) .
Parabéns Francisco, a tia adorou o teu aniversário :) .

sábado, 23 de agosto de 2014

Alecrim aos molhos

"Alecrim,  alecrim aos molhos por causa de ti choram os meus olhos..." .

Até ontem cantava esta letra como uma outra qualquer popular sem lhe conhecer o significado. Ontem fiquei a conhecê-lo no seu mais íntimo sabor. 

Sempre gostei de cozinhar desde que isso não se tornasse numa tarefa rígida ou uma obrigação.  Quando digo rígida refiro-me a cingir-me sempre às mesmas receitas ou ao que vem escrito nas ditas. Mas ontem, para não variar exagerei! Gosto de ervas de cheiro, de temperos e de "inventanços" que combino à maluca como se fossem poções mágicas que depois nem sempre me saem apuradas.
A Vera passou por cá,  no seu caminho de férias e decidi fazer uma receita nova, sem carne, mesmo ao gostinho dela. E o aspecto que tinha? Bom, muito bom!! tão bom que quando descobrimos que alecrim em excesso amarga, até nos deu vontade de chorar...é que os olhos também comem e só o aspecto quase chegou para ficarmos alimentadas. ( Nós tentamos, que nos pareceu um crime deitar fora uma coisa com um aspecto mesmo bom, mas na realidade, amargava até às lágrimas)

Como é lógico,  não me fico por aqui e já tenho tudo a postos para o 2 round, só que desta vez só com um "cheirinho" de alecrim, porque para amargar, já cá cantam muito mais coisas!!

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Em zona de rochas!

Tinha prometido que lá voltariamos, e voltámos. Escolhemos aquela praia, o ano passado, para celebrar o meu aniversario. É engraçado como se pode fazer alguém feliz com tão pouco que se lhe dá e que sabe tão bem a todos. Desta vez fomos 5, a nossa família de Verão:  mãe, os filhos, o sobrinho e o sempre amigo António.
Tento sempre esquecer-me do horário, nestes dias, e fazer de conta que estou de férias.  Apenas a alguns km e mudamos de cenário: as praias têm rochas, há espaços diferentes onde se pode brincar e até a areia é diferente ( é um pó que se entranha em tudo e aposto que para o ano, quando formos repetir a visita ainda há vestígios desta areia em algum espaço do meu carro - sim! É verdade, não primo pela organização dentro do meu veículo) . Mas houve espaço para muitas fotos, banhos, brincadeiras e ainda fomos descobrir que as pedras vão ficar lindas na decoração do jardim que já andamos a magicar.
Estivemos na vieirinha em Sines, onde não encontramos vieiras, mas encontramos calhaus e demos uso à ( segundo me contam que eu já não vim a tempo de ouvir) velha máxima do meu avô: para casa, até pedras!
E foi vê-los, como se não carregassem já coisas suficientes, a trazer os calhaus, escolhidos com tanto gosto, para o nosso futuro jardim.  Belos dias, é destes que eu adoro!!!!

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Sem ti

É assim que vai ser – disseste. … e abalaste. Eu abalei-me na tua ausência. ( abalam-me sempre as tuas ausencias). Adormeci no vazio de não te saber. Adormeci,  no abraço das tuas memórias.  Abalei-me no sonho de te ter meu, de te saber o sabor. ( sabes-me a bom, a muito, a quero mais).Sabem-me a demasiado longas as tuas ausências. E fica sempre para depois, um dia, aquele em que me acordas, em que o teu abraço me preenche todos os espaços vazios. Os espaços que só se enchem com as tuas formas, que só se sentem completos com o molde que lhes dás.  Vejo-te ao longe ainda,  mas mesmo ao longe continuas a encher-me as medidas que são as tuas – mas são minhas – e que sem ti são disformes,  sem brilho, sem força,  mas que se abalam na tua presença, pedindo que vejas para lá de olhar, que sintas, que toques, que me amalhes, nas malhas do calor do teu corpo, para que todos os dias do meu calendario sejam dias de nos completarmos. Só assim. Sem ti falta-me a melhor parte de mim…


[ aqui ]

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Coisas lindas !

Ando com ele para trás e para a frente há muito mais tempo do que o desejaria. Não porque nos faça mal a um ou a outro mas porque, geralmente quando gosto de uma coisa prefiro consumos rápidos. Talvez esteja diferente, talvez seja apenas a tão falada " idade" ou talvez seja o meu tempo que, dividido por muito mais solicitações ou preocupações se torna curto para o ler a falar connosco.

Perguntaram-me um destes dias se estava a gostar dele. Habituados que estão a ver-me mudar as cores das capas como quem muda de turnos, à espera da resposta, a conclusão foi imediata: " não deves estar a gostar ou já o terias lido" . Na verdade, a reacção após a pergunta foi a minha reacção comum quando não sei o que hei-de responder : fiquei parada ( a pensar ) mas a resposta veio "se nunca leste nenhum, não leias este primeiro". E eis como se pode ter uma opinião errada quando nos precipitamos a fazer juízos de valor.
A primeira parte é sobre o amor e a eminente preocupação de o perder. Perder alguém que se ama é de tudo, o pior que nos pode acontecer, aquilo de que mais medo temos. Que me perdoe, mas não gosto muito de falar sobre isso, e a ansiedade espelhada nas letras que se vão derramando pelas páginas em branco, fez-me pensar que o desespero lhe pudesse ter feito perder o jeito. Mas não! Passa-se a fase má e ele volta, tal como sempre o li, a perder-se em pormenores e pensamentos sobre coisas em que a maior parte das pessoas não pensa ou pelo menos não diz que pensa ou não perde tempo a pensar. E é disso que gosto tanto! De me sentir identificada naqueles pensamentos, é passar do riso ao "espera lá, como é que ele chegou a este conclusão? onde é que foi que me perdi? onde é que não consegui seguir o raciocínio?"

Estou a gostar, bastante, apesar da critica não ter sido a melhor, quando saiu. Ainda não acabei, e não me importo, gosto de ir apreciando com calma as crónicas, uma a uma, conforme me vão aparecendo, página a página, sem pressas...

Parabéns Miguel! A p?=)(?)(/&#$&#" da tua vida é mesmo linda de se ler!


 Distrairmo-nos é batermos o pé. Naquela teimosia de dizer: " Enquanto cá estou, escuso de fazer o que só faria sentido se ninguém morresse, a começar por mim". Escrever é uma maneira de fugir que não se consegue só através do pensamento. É esquisito: é o acto de escrever palavras que faz com que outras sejam puxadas até, a certa altura, ficarmos surpreendidos com o que acabámos de dizer.
Cada palavra não é uma ponte, porque as pontes são coisas apenas justificadas pelas coisas ( obviamente mais importantes do que elas) que ligam. É como as cerejas: cada cereja é uma delícia e a diferença entre não comer nenhuma e comer uma é, digamos, 7 mil unidades de " assim sim", enquanto a diferença entre comer uma ou duas não é mais do que 5 mil.
Não chega lembrar nem querer: é preciso inventar o que a nossa alma nos pede, que não existe feito neste mundo - precisamente para que as almas trabalhem nisso muito tempo. E não se ocupem tanto com o que não interessa.
Em suma, queremos sempre, pelo menos, três coisas: mais, melhor e mais bonito. Há outras que também queremos - mais depressa, mais conforme o que queríamos, mais eterno, mais fixo e , ao mesmo tempo, mais constantemente surpreendente -, mas nada disso existe na vida, em estado bruto, pronto para consumir.
É preciso passar pelos livros - por tudo o que não existe; pelo que está exagerado; pelo que é mais fingido do que vivido - para poder dar valor ao (muito) pouco que deveras existe.

da crónica O mundo incompleto em COMO é linda a puta da vida de Miguel Esteves Cardoso  

Coisas lindas

Ando com ele para trás e para a frente há muito mais tempo do que o desejaria. Não porque nos faça mal a um ou a outro mas porque, geralmente quando gosto de uma coisa prefiro consumos rápidos. Talvez esteja diferente, talvez seja apenas a tão falada " idade" ou talvez seja o meu tempo que, dividido por muito mais solicitações ou preocupações se torna curto para o ler a falar connosco.

Perguntaram-me um destes dias se estava a gostar dele. Habituados que estão a ver-me mudar as cores das capas como quem muda de turnos, à espera da resposta, a conclusão foi imediata: " não deves estar a gostar ou já o terias lido" . Na verdade, a reacção após a pergunta foi a minha reacção comum quando não sei o que hei-de responder : fiquei parada ( a pensar ) mas a resposta veio "se nunca leste nenhum, não leias este primeiro". E eis como se pode ter uma opinião errada quando nos precipitamos a fazer juízos de valor.
A primeira parte é sobre o amor e a eminente preocupação de o perder. Perder alguém que se ama é de tudo, o pior que nos pode acontecer, aquilo de que mais medo temos. Que me perdoe, mas não gosto muito de falar sobre isso, e a ansiedade espelhada nas letras que se vão derramando pelas páginas em branco, fez-me pensar que o desespero lhe pudesse ter feito perder o jeito. Mas não! Passa-se a fase má e ele volta, tal como sempre o li, a perder-se em pormenores e pensamentos sobre coisas em que a maior parte das pessoas não pensa ou pelo menos não diz que pensa ou não perde tempo a pensar. E é disso que gosto tanto! De me sentir identificada naqueles pensamentos, é passar do riso ao "espera lá, como é que ele chegou a este conclusão? onde é que foi que me perdi? onde é que não consegui seguir o raciocínio?"

Estou a gostar, bastante, apesar da critica não ter sido a melhor, quando saiu. Ainda não acabei, e não me importo, gosto de ir apreciando com calma as crónicas, uma a uma, conforme me vão aparecendo, página a página, sem pressas...

Parabéns Miguel! A p?=)(?)(/&#$&#" da tua vida é mesmo linda de se ler!


 Distrairmo-nos é batermos o pé. Naquela teimosia de dizer: " Enquanto cá estou, escuso de fazer o que só faria sentido se ninguém morresse, a começar por mim". Escrever é uma maneira de fugir que não se consegue só através do pensamento. É esquisito: é o acto de escrever palavras que faz com que outras sejam puxadas até, a certa altura, ficarmos surpreendidos com o que acabámos de dizer.
Cada palavra não é uma ponte, porque as pontes são coisas apenas justificadas pelas coisas ( obviamente mais importantes do que elas) que ligam. É como as cerejas: cada cereja é uma delícia e a diferença entre não comer nenhuma e comer uma é, digamos, 7 mil unidades de " assim sim", enquanto a diferença entre comer uma ou duas não é mais do que 5 mil.
Não chega lembrar nem querer: é preciso inventar o que a nossa alma nos pede, que não existe feito neste mundo - precisamente para que as almas trabalhem nisso muito tempo. E não se ocupem tanto com o que não interessa.
Em suma, queremos sempre, pelo menos, três coisas: mais, melhor e mais bonito. Há outras que também queremos - mais depressa, mais conforme o que queríamos, mais eterno, mais fixo e , ao mesmo tempo, mais constantemente surpreendente -, mas nada disso existe na vida, em estado bruto, pronto para consumir.
É preciso passar pelos livros - por tudo o que não existe; pelo que está exagerado; pelo que é mais fingido do que vivido - para poder dar valor ao (muito) pouco que deveras existe.

da crónica O mundo incompleto em COMO é linda a puta da vida de Miguel Esteves Cardoso  

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Eles

Escreveu na mão o que queria dizer para que não esquecesse. Queria ser honesta. Queria não se esquecer de todas as necessidades de dizer. Queria que ele soubesse que não se importava do que se havia passado e que gostava, gostava muito do que ele era e de como era. Gostava sobretudo de como era e do que sentia quando estava com ele. Tinha um testamento de coisas para dizer e tinha receio de não conseguir.
Enquanto limpava a cinza da lareira e juntava as brasas que sobravam do calor da noite,  pensava nas mil e uma possiblidades de lho dizer. Era-lhe difícil ( nem sabia bem porquê) expressar-se, e por isso escrevera na mão.
Olhou o relógio. Era tarde.  Ele saira zangado, muito zangado. Dissera-lhe que não queria, que não iria perdoar,  mas fora no calor da discussão.  No fundo, o que queria era que tivesse sido ele a dizer-lhe, a mostrar,  para que não fosse enredada nas conversas mesquinhas de quem não sabia o que se passava por trás das portas da morada que era a deles.  Os dois, só, deveriam ter confiado no que os unia.
Não queria que ele fosse de outra forma,  queria que fosse exactamente como é mas sobretudo que confiasse nela. Mesmo quando parecia não lhe dar importância,  era a opinião dele a que mais fazia eco na cabeça e no coração.  Queria que ele ficasse velho ao lado dela, para que se rissem os dois de todas as loucuras que haviam de fazer até lá chegar.
Ele continuava ausente. Perdida nos pensamentos abriu as mãos e repetiu em voz alta o que lá estava escrito

Quero ficar.Quero estar ao teu lado até quando não me queiras aqui, especialmente nessas alturas, que é quando mais precisas.  Sem ti o meu sorriso não tem metade do brilho e os dias não têm metade da cor. Os meus segredos são os teus segredos e não quero ter segredos para ti…
A porta . O barulho das campainhas.  A silhueta que ela conhecia melhor que ninguém.  Ele estivera sempre ali.


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Um dia ainda escrevo um livro

Um dia ainda escrevo um livro. Alimentei esta ideia desde cedo, na juventude, quase como um sonho daqueles que ficam cravados nos quadros de madeira, em algum lugar, género mantra de motivação ou coisa assim... Um dia ainda escrevo um livro... Não imaginei é que o fizesse tão cedo e no meio de tanta confusão na minha vida. O meu Versejando pelos caminhos da Alma, foi quase um tudo de escape ( you tube?)  para a situação limite a que deixei chegar a minha vida . Garanto-vos foi dos melhores tubos de escape que podia arranjar. Fazer algo novo, ouvir , pela primeira vez, alguém a ler "coisas" que tinha escrito, sentir-me na pele de quem realiza um sonho. Imparável!!!

O pior veio depois, e ao contrário daquilo que pensava até então, pode vir sempre algo pior. Foi assim com a decisão que tomei, que devia ter sido tomada anos antes (mas não foi e por isso as consequências foram e são muito mais difíceis de suportar) e foi assim com a promoção do livro. Acho sinceramente que um dos grandes males da nossa sociedade de hoje, é esta verdadeira loucura por objectivos: todos temos que ter objectivos, todos , sem excepção, temos que perseguir esses objectivos e, pior ainda, ser os melhores na chegada ao topo da pilha de objectivos, ou o nosso valor será limitado ( e se pelo caminho não ficarmos a nadar em dinheiro, somos no mínimo uns falhados) . É assim! Se pensar friamente sobre isso, poder-me-ei transformar  em fanática dos anti-objectivos e eu detesto fanatismos ( mas gosto de palavras fortes e colocadas no sitio certo). Ter objectivos é bom, é saudável, dá rumo e interesse ao caminho. O que não é bom é alcançar esses objectivos passando por cima de tudo e de todos, sem respeitar o que está ao lado, sem lhe dar o devido valor e sobretudo, se lhe dar a mão se ele cair no caminho, mesmo que isso implique parar um pouco na nossa caminhada e ao nosso lado pode estar muita gente, muitas vezes gente que à partida, não nos é nada. Mas é preciso reconhecer também quem nos atrasa, sempre e constantemente com o intuito de nos passar por cima, para que não deixemos que esses seres nos impeçam de sermos nós e nos desviem do nosso caminho.

O livro abrandou. O caminho tornou-se demasiado violento, demasiado competitivo, demasiado esgotante e sobretudo deixei de tirar prazer no que fazia. Fazia-o para atingir o objectivo de...vender ( e eu lá me importaria se ele não se vendesse???!! não! o importante foi tê-lo escrito) por isso parei. O que não se sabe é que depois do Versejando ainda escrevi mais livros, que, como já é uso em mim, foram excelentes maus negócios!  Livros, textos, coisas sem nexo e sem sentido...muito escreve esta Alma! A quem é que "isto" sairia assim??? Eu tenho uma ideia, mas não as posso partilhar todas... ainda assim há muita coisa que posso partilhar e por agora partilhei aqui o rascunho original de onde saiu o livro da feiticeira ( não foi bem este, que esse livro já teve muita história para contar, mas como disse atrás: não se pode partilhar tudo!) . Como todos originais é imperfeito, tem muitas gralhas, podia ter sido melhor, mas pelo menos é genuíno e sobretudo é livre ( podem ler, se quiserem). E Juro-vos que toda esta conversa me surgiu devido à noticia da morte de um homem, este homem, que protagonizou, um dos filmes que a par com o Corvo, marcaram o meu crescimento como pessoa ( sim , eu sei , são filmes que não têm nada a ver, mas eu sou capaz de ir dos 0 aos 100 em 3,19 segundos). Esse filme foi o clube dos poetas mortos e ensinou sobretudo que quando não podemos ser aquilo que realmente somos, o melhor e mais seguro para o bem de todos é gerir os conflitos de interesses de forma pacífica e com o menos perdas possíveis para o ambiente que nos rodeia. Complicada esta analogia? talvez, mas tal como não entendo que um homem que gostava de nos fazer rir se tenha enforcado, também não percebo como é que alguém tenha dificuldade em entender que de tudo o que mais importa é a vida, desde que seja vivida em plena consciência do ser, mesmo que para isso seja necessário recolher à casota e viver protegido até haver ambiente a favorecer. Aprendi também, que mesmo quando as coisas correm mal, há sempre formas de transmitirmos o nosso apreço e sobretudo o quanto foi importante a presença de alguém na nossa vida...








[original daqui ]

Um dia ainda escrevo um livro...

Um dia ainda escrevo um livro. Alimentei esta ideia desde cedo, na juventude, quase como um sonho daqueles que ficam cravados nos quadros de madeira, em algum lugar, género mantra de motivação ou coisa assim... Um dia ainda escrevo um livro... Não imaginei é que o fizesse tão cedo e no meio de tanta confusão na minha vida. O meu Versejando pelos caminhos da Alma, foi quase um tubo de escape ( you tube?)  para a situação limite a que deixei chegar a minha vida . Garanto-vos foi dos melhores tubos de escape que podia arranjar. Fazer algo novo, ouvir , pela primeira vez, alguém a ler "coisas" que tinha escrito, sentir-me na pele de quem realiza um sonho. Imparável!!!

O pior veio depois, e ao contrário daquilo que pensava até então, pode vir sempre algo pior. Foi assim com a decisão que tomei, que devia ter sido tomada anos antes (mas não foi e por isso as consequências foram e são muito mais difíceis de suportar) e foi assim com a promoção do livro. Acho sinceramente que um dos grandes males da nossa sociedade de hoje, é esta verdadeira loucura por objectivos: todos temos que ter objectivos, todos , sem excepção, temos que perseguir esses objectivos e, pior ainda, ser os melhores na chegada ao topo da pilha de objectivos, ou o nosso valor será limitado ( e se pelo caminho não ficarmos a nadar em dinheiro, somos no mínimo uns falhados) . É assim! Se pensar friamente sobre isso, poder-me-ei transformar  em fanática dos anti-objectivos e eu detesto fanatismos ( mas gosto de palavras fortes e colocadas no sitio certo). Ter objectivos é bom, é saudável, dá rumo e interesse ao caminho. O que não é bom é alcançar esses objectivos passando por cima de tudo e de todos, sem respeitar o que está ao lado, sem lhe dar o devido valor e sobretudo, se lhe dar a mão se ele cair no caminho, mesmo que isso implique parar um pouco na nossa caminhada, e ao nosso lado pode estar muita gente, muitas vezes gente que à partida, não nos é nada. Mas é preciso reconhecer também quem nos atrasa, sempre e constantemente com o intuito de nos passar por cima, para que não deixemos que esses seres nos impeçam de sermos nós e nos desviem do nosso caminho.

O livro abrandou. O caminho tornou-se demasiado violento, demasiado competitivo, demasiado esgotante e sobretudo deixei de tirar prazer no que fazia. Fazia-o para atingir o objectivo de...vender ( e eu lá me importaria se ele não se vendesse???!! não! o importante foi tê-lo escrito) por isso parei. O que não se sabe é que depois do Versejando ainda escrevi mais livros, que, como já é uso em mim, foram excelentes maus negócios!  Livros, textos, coisas sem nexo e sem sentido...muito escreve esta Alma! A quem é que "isto" sairia assim??? Eu tenho uma ideia, mas não as posso partilhar todas...

Ainda assim há muita coisa que posso partilhar e por agora partilhei aqui o rascunho original de onde saiu o livro da feiticeira ( não foi bem este, que esse livro já teve muita história para contar, mas como disse atrás: não se pode partilhar tudo!) . Como todos os originais é imperfeito, tem muitas gralhas, podia ter sido melhor, mas pelo menos é genuíno e sobretudo é livre ( podem ler, se quiserem). E Juro-vos que toda esta conversa me surgiu devido à noticia da morte de um homem, este homem, que protagonizou, um dos filmes que a par com o Corvo, marcaram o meu crescimento como pessoa ( sim , eu sei , são filmes que não têm nada a ver, mas eu sou capaz de ir dos 0 aos 100 em 3,19 segundos).

Esse filme foi o clube dos poetas mortos e ensinou-me sobretudo que quando não podemos ser aquilo que realmente somos, o melhor e mais seguro, para o bem de todos, é gerir os conflitos de interesses de forma pacífica e com o menos perdas possíveis para o ambiente que nos rodeia. Complicada esta analogia? talvez, mas tal como não entendo que um homem que gostava de nos fazer rir se tenha enforcado, também não percebo como é que alguém tenha dificuldade em entender que de tudo o que mais importa é a vida, desde que seja vivida em plena consciência do ser, mesmo que para isso seja necessário recolher à casota e viver protegido até haver ambiente a favorecer. Aprendi também, que mesmo quando as coisas correm mal, há sempre formas de transmitirmos o nosso apreço e sobretudo o quanto foi importante a presença de alguém na nossa vida...





terça-feira, 12 de agosto de 2014

Ensaio da cegueira


Bato à porta, levemente.
A cegueira é um estado de espírito em que, muitas vezes, nos recusamos a olhar para nós próprios. Tento ver para além da matéria, que me é dada a conhecer sensorialmente, e vejo apenas a minha própria venda. A bola, dum cristal puro, que representa a mais interna e valiosa de todas as minhas riquezas, transmite-me a luxuria que eu quero apagar para sempre da memória. 
Bato à porta com mais força.
A cegueira mantém-se, transformando agora aquilo que vejo, naquilo que quero ver. 
A porta torna-se no alvo a abater, ao murro e ao pontapé. Pretendo que sucumba para não ter que lidar com a incapacidade de simplesmente bater e ter que aceitar que as portas só abrem, se houver uma chave certa. 
Não ter que aceitar a própria luxuria, que existe em todos os seres, que existe em mim. Dispo-me com a venda, para não me ver. Vivo e sinto tudo, cega de mim, para não aceitar as próprias limitações. E o corpo pede a alma que lhe faz parte e a alma descaracteriza-se sem o corpo que me transporta. 
A bola deixa de prever, um futuro.
A porta mantém-se fechada, e eu, desesperada, grito para que me ouçam, para que ouçam, o corpo que se separou da alma, a alma que deixa de fazer sentido perante a porta fechada.
Imagino, e a imaginação alimenta-me a sede e a fome de um corpo.
Cai a venda. Procuro-me. Encontro-te?
Bato à porta, levemente…







Smille!!

Hoje é um dia feliz! Apesar de andar literalmente submersa devido ao trabalho, tenho conseguido, com algumas regras, dedicação, planeamento e alguma disciplina ( não pode ser muita senão sinto-me presa), seguir a dieta à risca. Hoje ultrapassei uma barreira que já pensava intransponível - finalmente desci a barreira dos 70 e quedo-me, por agora nos 69,4!!

Já me vou parecendo comigo :) ( smille!)

Para isso muito têm contribuído as receitas com muita fruta e alguns vegetais, que aprendo com os blogs que vou lendo ( ao lado, no blog) . Ainda bem que existe a internet, que nos permite aceder a tanta informação, quando mais precisamos dela !!!

Sinto-te

Não  lembro essas tuas mãos.
Não com os olhos abertos.
Das tuas mãos lembro a ternura
A explosão dos sentidos despertos
Tocas-me como se piano fosse
Atrás do pano fechado
Ninguém viu, ninguém o ouve
E o piano toca, motivado
A velha carcaça, sem som
Tenta em vão,
ao dedilhado
Mas só a mão que sei tão doce
Produz o efeito sonhado
Fecho os olhos.
Sinto.Sei.
Elas voltam p’ro meu lado
no seu toque aveludado
O som preenche os espaços
Não é choro, nem é fado
É a criança em mim
Em ti,
Criação, (preocupado??)

É o amor quem toca aqui
Num seu tom de harmonia
Cala-se para não ferir
o saber,
No gerir da sinfonia
O corpo renasce em transe
ao dedilhado saber
Como se sempre esperasse
As tuas mãos (as do amor)
para o fazer renascer
Neste fogo desenhado
Para que te aguarde
Vivemos em sintonia
num silêncio
(disfarçado de cobarde)
Em mim, arde…
Foram as tuas mãos
Amor
quem me trouxe até aqui
Toca, cria , enche a tela
Que eu sinto-te
Abraçado a mim…
 
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Passito a passito

A cada dia que passa vou dando pequenos passinhos ... já dizia o Neil Armstrong quando pôs os pés na lua : " É um pequeno passo para o homem mas o grande passo para a Humanidade ( ou qualquer coisa assim muito parecida...) .

 Sei quais serão  as cores de todas as paredes, as janelas a aumentar para deixar entrar a luz ( uma casa sem luz natural é um refugio e não uma verdadeira morada) e os pequenos pormenores de decoração, que me deixam verdadeiramente entusiasmada ( são os pequenos pormenores que fazem a diferença - sempre - são eles que dão o toque de personalização e fazem daquela a nossa morada, nos caracterizam e nos dão a sensação de pertença, de reconhecimento, de paz ) .

Escrevia eu há uns anos num livro que não chegou a ver a luz ( ou pelo menos, não nos moldes mais comuns) :

"   As coisas simples revestem-se de mantos de luz que iluminam os dias cinzentos. Segredos são partes de nós, como a própria carne que nos mantém vivos. Sonhos são janelas abertas para outras dimensões que também elas fazem parte da vida. Essa magia que invade o corpo e o transforma em muito mais do que biologia. São a outra parte de um eu que só em sonho é livre..." ( d`O livro da Feiticeira)


está na altura de começar a dar corpo aos sonhos, a trazê-los para o outro lado da dimensão viver, da dimensão sentir. E é passo a passo que vou tomando conta do meu lugar, da minha vida, do que sonhei ser e sentir  num lugar construído a pensar na família, no meu lugar... Já só falta o jardim, mais difícil de prever e planear porque a natureza terá que dar o seu contributo para que esta aprendiz de jardineira faça brotar da terra todas as sementes que plantar. Organizar espaços, belezas, flores , arvores de fruto, ervas aromáticas e outras coisas que farão a diferença, a minha diferença. Não vejo a altura de poder começar, pondo finalmente fim à fase do planear.
Displaying o livro.doc.

domingo, 10 de agosto de 2014

A sul mas a oeste

Gostava de ter ido ao Sudoeste. Não que ainda me fascinem aqueles ambientes de pó e confusão,  mas porque estive lá,  no seu nascimento e nos primeiros anos e sou uma saudosista. Em 18 anos muita coisa muda. Eu sei o que mudou na minha vida e gosto de ver as mudanças que vão ocorrendo,  nas coisas e nas pessoas, enquanto a vida se vai fazendo.  O ser humano fascina-me! E é nos aglomerados de pessoas que se pode observar o melhor e também o pior. Assim também se aprende, mais que não seja aprende-se pela observação aquilo que se quer ou não , para a nossa vida.

A música leva-me a qualquer lado ( já se sabe) e sou capaz dos maiores sacrifícios só para ouvir alguém que goste.

Não fui porque neste momento as minhas prioridades são outras e para atingir o objectivo a que me propus tenho que trabalhar e poupar,muito. Estou a falar da minha nova casa, claro! De me desfazer do peso velho, abrir as portas a uma nova oportunidade e construir os meus sonhos.  O fogão já está no lugar, prontinho a debitar receitas o mais naturais e naturistas possíveis. Neste momento mudei o meu foco para a cama dos meninos.  Reaproveitar é a palavra de ordem. Conseguir fazer o que quero com aquilo que já cá tenho. Agora vai ser vê-la a aprender a pintar madeira. A cama preta vai dar lugar a uma cama branca e azul,  assim eu consiga ,com as minhas mãos, transformar o sonho em realidade ( nunca fui boa em trabalhos de mãos ).  Talvez tire umas fotos do antes, do durante e do depois,  para sempre que me der na cabeça  - que não consigo fazer qualquer coisa - me possa lembrar que com paciência e vontade, tudo se faz, mesmo que para isso seja necessário algum sacrifício.  

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Vou pintar tudo da cor dos meus sonhos...

Os dias têm passado um a um e, suavemente, as soluções têm-me encontrado como se fossem as peças de um puzzle que depois de encontradas quase que nos questionam: mas tu nãos vês que eu estive sempre naquele lugar?
Já tenho o fogão e agora , entre corridas para os postos de trabalho que me seguram a vida em pontas, vou imaginando as cores para cada espaço. Sei exactamente o que quero, mas há sempre lugar em mim para os receios de não ter ponderado todas as melhores soluções. Talvez seja o que aprendi nos últimos anos que me leva a não correr logo atrás da primeira ideia fantástica que me vem ao pensamento. De qualquer das formas, estes são uns tempos maravilhosos; tempos em que me permito fazer planos, sonhar, imaginar espaços e decorações, imaginar vivências nos espaços e ir vivendo feliz com esta calma de poder escolher o que mais me agrada. Talvez antes, todo este compasso de espera me "desse no nervo" e me fizesse apitar como se fosse uma panela de pressão prontinha a largar tudo...mas agora aprendi que viver tudo calmamente, ponderar e tirar o gosto de cada pequena escolha que me parece positiva, me dão uma calma e uma paz que necessito ainda mais do que um novo telhado meu, que me cubra por fim a insegurança. Viver devagar, penso eu, é quase uma necessidade fisiológica a que me obrigo, depois da velocidade a que tenho vivido na última década...

Palavras que não combinam

Amor e medo, palavras que não combinam...mas se o amor não nos impulsiona para a frente o que faço eu com o medo que me engole as entranhas e devora em doce mastigar lentificado a voz que se perpetua por entre os códigos mágicos que transcrevem, hoje, as linhas da minha paixão... (?) confundem-me as palavras que se fundem na minha imaginação onde o medo se transforma em gente, gente que sente, que se descontrola por sentir.

Parada sonho-te, amada sonho-me e o medo conforta-me a solidez da quietude. Penso-te em sentimento. Quieta

As confusões invadem-me o espirito e as dúvidas pousam , como se aves fossem, nos ramos que o medo criou no meu agir. Fico, filosofando sobre as questões de um porquê e paro, quando a felicidade começa a atingir o meu ponto de ação.

Saberá o amor a medo?

Amor e medo, palavras que não combinam...

Sou uma árvore imóvel, à espera que o amor venha fazer o ninho nos ramos que o medo criou...
 



in Diário de Voo

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Há fumo, mas não há fogão

Nunca na vida pensei que comprar um fogão desse tanta dor de cabeça ( bem, na verdade a dor de cabeça vem do café que ainda não consegui beber hoje, já que este posto de trabalho não tem nem lugar, nem maneira de me fazer chegar café que me acabe com este peso) . Não consigo decidir se é melhor investir num novo ou esperar que a sorte me traga em mãos uma oportunidade em segunda mão ( isso implica esperar, e não tenho muito tempo para...). Independentemente da escolha que fizer, chego à conclusão que quando chegamos ao limite de deixar que um fogão nos dite as possibilidades futuras no imediato, percebo que provavelmente estarei no limiar das coisas bizarras.


Era uma vez



Era uma vez um caderno.

Escrito a linhas de sangue, lágrimas e suor. Escrito em letras de luz de uma lua sempre poente, nunca nascente, nova, mas cheia de escuridão...

Quem não o lia, não ouvia e jamais viu uma palavra do que lá foi escrito.
Era uma vez um era uma vez, que se foi de vez e retornou num livro de histórias pintadas a mar e chuva e tempestades.
Era um diário, um livro, um pedaço e coisas velhas.


Era uma vez um calendário, que se foi rasgando, e, tornando as folhas novas em velhas, as folhas velhas foram ficando novas.


Era uma vez um ano, e outro e outro ainda...
Foi uma vez uma menina, que se fez bruxa e uma bruxa que se fez princesa, e uma princesa que se fez mulher.
Um conto: de contar coisas, coisas que se descontam por cada vez que era uma vez...  

 



O que me faz rir?
O medo que ainda pressinto em ti, quando não sabes o que poderei fazer a seguir. 
(Gargalhadas) (suspiro)
A bem dizer, ainda me surpreende, que te surpreendas...


Talvez escrever seja uma forma subtil de querer viver para sempre...
Talvez no começo, apenas desejasse segredar a mim própria o que não diria a mais ninguém; jamais!
Talvez, nos entremeios dos julgamentos - sem juiz, sem lei, sem rei nem roque - me tenha apercebido que a vida não se faz de amanhãs que não existem e nunca chegarão - um amanhã será para sempre um amanhã, nunca será um hoje.
Um hoje poderá não ser o tão especial dia em que tudo será diferente, mas é um hoje e é de hojes que se constróem vidas.
Nada está perdido enquanto a capacidade de amar estiver presente, e essa nasce connosco. Por mais enxovalhada, enlameada, pontapeada que for, nunca será banida do local onde a plantaram, onde nasceu: no coração dos simples.
Força e coragem andam de mãos dadas nas passadeiras e nas bermas da vida: uma vez puxa uma, outra vez outra,  ambas levar-nos-ão pelos caminhos da eternidade, enquanto alguém se lembrar do BEM que fizemos...


                                                                                                                        D`O Livro da Feiticeira

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Um dia a seguir ao outro

Ontem fui vê-la. A minha nova casa. Nada é fácil nesta vida, mas às vezes parece que as complicações nos batem à porta como gotas de chuva em dias de tempestade.
Ainda faltam alguns pormenores, algumas chatices, mas no geral senti-me bem com o que vi. Há espaço para todos e ainda sobram alguns pormenores especiais, onde posso por a minha criatividade ao serviço da personalização do espaço. Estou feliz, genericamente feliz! Não fossem as dificuldades que sempre se agarram à sola dos sapatos como pastilha elástica sem utilidade, mudava-me já amanhã. Assim sendo, não vai dar, mas tenho ainda um mês inteiro para sonhar alternativas sendo que, neste momento me sinto com a cabeça à roda de tanta coisa para resolver e tantas prioridades que são necessárias projectar e definir. Um calendário cheiro e um bolso vazio e tanta , mas tanta coisa para decidir. Mas prefiro-me assim, em actividade mental e funcional do que parada a sonhar com o futuro. Sendo assim, é certo e sabido que as minhas escritas, sejam elas reais ou fantásticas, estarão sempre de qualquer forma ligadas com esta nova fase da vida.

Neste momento preocupam-me as cores, as mobílias "antigas" que vão ter que se fazer caber nos novos espaços e o inventário de tudo aquilo que está guardado há anos e que provavelmente já nem me lembro de me pertencer. Um dia de cada vez...