sábado, 15 de novembro de 2014

Mudar a história

Vejo-te chegar. Parece-me que vens de uma outra realidade, como se não existisse de facto o aqui e agora e fosse apenas mais uma das muitas recriações que a minha mente já fez para o momento. Vens diferente. O cabelo grisalho dá-te um aspecto ainda mais sereno, os anos fazem-te bem, tens sorte de não ser de um outro género. Estás mais magro, o tempo secou-te por fora. Vincam-se as histórias no teu rosto o que te dá um ar de desgosto…mas isso eu não sei.
Pergunto-me tantas vezes o que terá mudado em nós. Talvez nada tenha mudado. Talvez tenhamos feito apenas percursos errados. O que teria acontecido se as decisões e as escolhas tivessem sido outras?
Conhecer-te-ia em qualquer parte do mundo mesmo que tivessem passado 100 anos. A melodia do ar, que vibra com o teu movimento é inconfundível. Tocas as cordas do espaço de uma forma tão característica, que , provavelmente, mesmo surda, conseguiria ouvir os acordes que te distinguem de um outro qualquer instrumento.
às vezes penso que se pudesse mudar a história , mesmo que me oferecessem o mundo, que me dessem a provar o mistério da magia que faz o mundo girar, que me mostrassem todos os segredos, de todas as vitórias, não trocaria nada disso pela acção certa na hora exacta.  Mas quem poderá saber o certo e o exacto no momento da decisão?
O lapso que ficou entre o lá e o agora tornam o momento difícil. Passaste a ponte e caminhas lentamente, como se apesar da magreza do corpo, ele te pesasse muito mais. Vejo-te para lá do vidro e decido ir tocar. A sala é ampla mas o espaço encolhe na iminência da tua presença.
Não sei o que dizer. Nunca sei onde colocar as mãos e as palavras perto de ti. Se as ocupar com alguma acção engano a minha ansiedade. Chegas silencioso e mantens a distância de segurança para não oprimir ainda mais o espaço que ficou minúsculo.O rosto, inexpressivo ( estarás feliz ou indiferente?) :
Foste tu que me chamaste? 
Por qualquer motivo, tudo o que ficou para trás parece-me irreal. E a tua resposta vem, mas eu já só  sonho connosco e não ouvi
Repetes, por favor?

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Lembranças de melodias


Talvez não te reconheçam as velhas , que nos poiais da vida tricotam as vestes da nacionalidade.
Talvez não falem de ti, aos moços sentados às secretarias tentando sugar das palavras todo o conhecimento daquilo que nunca viram.
Talvez não. Talvez no futuro não sobrem mais do que as lembranças das tuas melodias. Ainda assim me tocas.
Tocas. E o fogo com que impeles a música, vibrando o instrumento que te deu a voz, com que me encantaste, matou, no desfiar dos dias o inverno que tomou conta dos meus sentidos. É o fogo desse instrumento que me amorna a perspectiva e fez chegar a casa, o Verão.
É esta a nação das almas perdidas, que se acham nas pequenas coisas que o tempo não apagou.
É.  É assim o calor do meu sangue, igual ao teu, que não se esfria nas crises mas se recria continuamente ardendo por dentro, queimando o que não faz falta, aquecendo a esperança que não se perde.
Encontram-se, em todas as curvas da estrada, as estórias da mulher, sentada, sonhando a abalada da dor. Ardendo, por dentro e por fora na órbita de um grande amor. 
Talvez não te reconheçam, talvez nunca venham a saber. Mas o Verão que habita em mim, fizeste por o merecer.

Original Aqui

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Diários

Gosto de escrever diários.  Não por saudosismo, mas porque me arranjo neles e é esse tambem o espaço que arranjo para ti, dentro de mim.  Se te dissesse as vezes que entras e sais de dentro do meu pensamento julgavas-te a ti próprio ladrão.  Ladrão de memória, que levas a concentração e a integração pelo espaço fora, até me conseguir achar num abraço de que nunca quis sair.
Escrevo diários para me convencer a mim própria que há mais que tu na minha vida, mas não haveria vida ( esta vida) em mim, se não houvesses tu, assim, na minha vida .




domingo, 5 de outubro de 2014

Dos dias cinzentos

Os dias cinzentos são sempre os piores e raramente têm muito que ver com os sol. São os dias em que se descobre que os sonhos ficaram todos para trás, que não se faz nada do que se esperava fazer por esta altura e que por muita volta que se dê ao pensamento não se encontra grandes saídas ( viáveis) para se transformar a forma como se ficou. O trabalho não nos leva a lado nenhum e é feito com esforço de escravatura, o tempo não chega para se estar com os filhos como se devia, já para não falar das contas constantes que se fazem para arranjar e rearranjar orçamentos. É nesta altura que me questiono qual foi a curva que fiz para a direcção errada. Por mais voltas que dê ao pensamento não consigo identificar uma ( foram tantas) que acabo por me certificar que é tempo perdido estar constantemente a voltar para trás.
 Até aqui, tudo bem.
Conforma-se e enforma-se e no fundo nem é isso que me preocupa. O que me preocupa é a falta de perspectivas, a falta de oportunidades, a falta de alternativas. Às vezes sinto que a minha vida é como a politica em Portugal: por mais que se queiram arranjar alternativas e soluções há-de vir sempre alguém ou alguma coisa estragar tudo.  Poderão dizer-me que a vida é mesmo assim , que nunca se tem aquilo que se quer, que é difícil...pois, obrigada pela informação, isso eu já sei! A alternativa pelos vistos é habituarmo-nos. Habituamo-nos a trabalhar 240 horas por mês. Habituamo-nos a despender apenas 30 minutos a uma hora por dia aos filhos, habituamo-nos com a ideia de que há muita coisa que nunca iremos ver nem ouvir. E eu habituei-me! Habituei-me que há alguns sonhos que se podem transformar nos piores pesadelos, quando te exigem sucesso.
 Estes são os meus dias cinzentos, depois tenho outros. Nos outros dias, agradeço por poder trabalhar as 240 horas que me permitem ir vivendo e levando os meus filhos onde querem, fazer-lhes alguns "mimos" que todos gostamos de fazer, mantê-los vestidos e calçados e aparentemente saudáveis e felizes. Nos outros dias, agradeço por ter resistido e aguentado 5 anos de uma depressão difícil, de ter aguentado as constantes pressões internas para não resistir ao sofrimento ( sim, uma depressão é, muito mais que se imagina, uma forma de sofrimento) de me ter transformado numa pedra, que não permite que os dias cinzentos que ainda batem à porta, tenham a mesma força e a mesma influência que já chegaram a ter. Nos dias cinzentos, lembro-me que vai passar, que tudo passa, que não preciso mostrar a ninguém que sou feliz, nem preciso ser melhor ou pior. Só preciso ser eu, e aguentar, porque no dia a seguir, se bem calhar, já verei as coisas diferentes, sem ambições, sem grandes sonhos, sem objectivos "imediáticos". Só com a vontade de viver." Esperar o melhor mas estar sempre preparada para o pior". Aprendi que só isto já me basta, como qualquer outro objectivo...
 
 
 

 




sábado, 27 de setembro de 2014

Acreditas?

Dizem que se seguir a linha encontro o desejo à tanto pedido, há tanto perdido. Dizem… mas o arco íris tem sete linhas que por vezes se misturam e mesclam e fazem parecer-se menos ou mais. O meu arco íris és tu, o meu fim da linha, o principio dos sonhos , o pote cheio que me faz querer andar por cá o tempo que for preciso, só para te conseguir alcançar em meus braços e abraçados, seguirmos , par lá do que o arco íris trouxer para nós.


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Rascunhos




Ainda continuam a haver gestos simples que perduram no tempo



Confiança!

O céu esta manhã apresentava-se com umas excelentes combinações de roxo. Mas que raio de cor para se definir um céu da manhã??!! Eu explico. Gosto das combinações da cor vermelha com o azul ( aliás gosto de combinações de cores, especialmente se estas estiverem muito próximas das cores primárias) e o azul do céu ou das nuvens, quando o sol nasce ou se põe, adquire aquela tonalidade forte que o sol tem a essa hora, misturando primeiro os tons mais fortes, que vão aclarando até que o astro rei se levante, e vá ficando cada vez mais claro e luminoso. Essa mistura inicia-se num roxo que vai passando a rosa depois a alaranjado e finalmente com as cores que definimos como as "normais". É por isso que o nascer e o por do sol são para mim as mais bonitas horas do dia e é por isso que, embora me custe a abandonar o ninho, fazê-lo a tempo e horas acaba por ser uma óptima forma de começar o dia: porque tenho tempo e disponibilidade para me encantar com estas pequenas coisas que tornam o meu dia mais bonito logo de inicio.

Gosto de chegar com tempo, embora nem sempre me seja fácil, gosto de preparar as possibilidades, gosto de saber ao que vou antes de começar. Deve ser por isso que as minhas malas, carteiras ou o que lhes quiserem chamar andam sempre a abarrotar de coisas que aparentemente não servem para coisa nenhuma. Mas são essas "coisas" que me dão a segurança de ter o que preciso numa situação de "aperto". É por isso que agora, ao ultimar as mudanças, me deparo com uma "colecção" de objectos enorme e que vou ter que , de alguma forma, seleccionar, arrumar, algumas dispensar e outras reutilizar. Mas é bom reencontrar-me com muita coisa que não encontrava à tanto tempo. Transmite-me a noção de reconhecimento, de segurança e sobretudo de pertença. Tal como é bom, de manhã, reencontrar num céu as cores que tanto gosto. Porque mesmo repetindo todas as manhãs o mesmo caminho, vendo todas as manhãs o nascer do sol, não há vez nenhuma que não lhe encontre um pormenor diferente, uma nova tonalidade aqui e ali, uma nova forma de olhar para o que me é familiar, mas ao mesmo sempre novo e tão querido com a confiança que o dia também me sorrirá!

Entre palavras e lutas




Sou da família das estrelas
Sempre que te digo adeus
Distante constelação de palavras
Sonhada por qualquer Deus
Nascida nesta terra
Vagueio na solidão
Para me perder, encantada
Presa pela tua razão

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Sem motivos...

… e é por isso e só por isso que a um pássaro já ferido não se pode atirar-se ao coração. 
Há limites, também por la. Nem tudo cabe num coração sem sustento. A inconviniência do gesto ditou-lhe o futuro. A ave caiu do céu. Rasgaram-lhe as asas, esventraram-lhe o pulso. Serviu de caça. 
Nada resta. Não sobram mais palavras. Apenas a lembrança da ave que voava no céu.
Que queres que mais te diga se ao atirares acertaste em cheio no local onde não deverias tocar assim? Que queres agora, que jaz morta a ave? Milagres? Fa-los tu. Aqui não se aceitam. Aqui só coragem e determinação.  Não volto a recolher os restos dos corações que implodes sei lá eu com que motivação.  Não sou o teu cão de caça para te levar às mãos o troféu.  Vai tu buscá-lo se o quiseres. A mim de nada me serve uma ave sem vida.


Dias cinzentos

Os dias cinzentos são sempre os piores e raramente têm muito que ver com os sol. São os dias em que se descobre que os sonhos ficaram todos para trás, que não se faz nada do que se esperava fazer por esta altura e que por muita volta que se dê ao pensamento não se encontra grandes saídas ( viáveis) para se transformar a forma como se ficou. O trabalho não nos leva a lado nenhum e é feito com esforço de escravatura, o tempo não chega para se estar com os filhos como se devia, já para não falar das contas constantes que se fazem para arranjar e rearranjar orçamentos. É nesta altura que me questiono qual foi a curva que fiz para a direcção errada. Por mais voltas que dê ao pensamento não consigo identificar uma ( foram tantas) que acabo por me certificar que é tempo perdido estar constantemente a voltar para trás.
 Até aqui, tudo bem.
Conforma-se e enforma-se e no fundo nem é isso que me preocupa. O que me preocupa é a falta de perspectivas, a falta de oportunidades, a falta de alternativas. Às vezes sinto que a minha vida é como a politica em Portugal: por mais que se queiram arranjar alternativas e soluções há-de vir sempre alguém ou alguma coisa estragar tudo.  Poderão dizer-me que a vida é mesmo assim , que nunca se tem aquilo que se quer, que é difícil...pois, obrigada pela informação, isso eu já sei! A alternativa pelos vistos é habituarmo-nos. Habituamo-nos a trabalhar 240 horas por mês. Habituamo-nos a despender apenas 30 minutos a uma hora por dia aos filhos, habituamo-nos com a ideia de que há muita coisa que nunca iremos ver nem ouvir. E eu habituei-me! Habituei-me que há alguns sonhos que se podem transformar nos piores pesadelos, quando te exigem sucesso.
 Estes são os meus dias cinzentos, depois tenho outros. Nos outros dias, agradeço por poder trabalhar as 240 horas que me permitem ir vivendo e levando os meus filhos onde querem, fazer-lhes alguns "mimos" que todos gostamos de fazer, mantê-los vestidos e calçados e aparentemente saudáveis e felizes. Nos outros dias, agradeço por ter resistido e aguentado 5 anos de uma depressão difícil, de ter aguentado as constantes pressões internas para não resistir ao sofrimento ( sim, uma depressão é, muito mais que se imagina, uma forma de sofrimento) de me ter transformado numa pedra, que não permite que os dias cinzentos que ainda batem à porta, tenham a mesma força e a mesma influência que já chegaram a ter. Nos dias cinzentos, lembro-me que vai passar, que tudo passa, que não preciso mostrar a ninguém que sou feliz, nem preciso ser melhor ou pior. Só preciso ser eu, e aguentar, porque no dia a seguir, se bem calhar, já verei as coisas diferentes, sem ambições, sem grandes sonhos, sem objectivos. Só com a vontade de viver." Esperar o melhor mas estar sempre preparada para o pior". Aprendi que só isto já me basta, como qualquer outro objectivo...



Um filme que gostava de ver

Nem que seja só pela banda sonora ...



quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Por trás de mim

Vou-me deitar. Sonho.És a manta que me cobre, o lençol suave que me acaricia as pernas, a almofada fofa onde descanso a cabeça. O meu corpo chama por ti e enquanto o cabelo se derrama, sem rumo pelos ombros e no dorso sinto a tua pele atrás de mim.

Não estás. Prevejo-te no reflexo do meu corpo enquanto espero por ti. O arrepio, um corpo inteiro perdido nas mãos que levas para longe na esperança que me auscultes a falta, onde quer que vaz. Eu quero, quero tanto,  que sinta o teu corpo a falta do meu, quando te deitas...e dormes...

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Não me lembro

Não me lembro, tenho na memória o cansaço das noites em claro, decifrando as letras que nos traziam perto, julgava...
Não me lembro, trago no corpo o frio das noites, em que o calor que senti era a febre, da doença que me ocupou o espaço que ficou em vazio.

E o tempo foi ocupando o silêncio, a areia foi caindo, enchendo a ampulheta da vida de um novo deserto a atravessar, guiada, pelas estrelas na noite, que teimam em querer fazer-me chegar para lá da aridez do caminho. 

Papoilas saltitantes

Tivemos um fim de semana em grande. O desporto dá saúde e é de pequenino que os bons hábitos devem ser enraizados.
Assim, sempre me preocupei  que os meninos praticassem uma qualquer modalidade, em que se sentissem bem.
Com a chegada do novo ano escolar , regressam também as práticas desportivas e dividir-me entre duas modalidades e dois horários de jogos não é tarefa fácil. Com um jeitinho daqui e dali e alguma ajuda da família e dos amigos lá se vai conseguindo.
No sábado foi dia dos primeiros jogos da época, com direito a duas excelentes derrotas que são essenciais para a boa aprendizagem do desporto e sobretudo para a aprendizagem a lidar com a frustração. Costumo dizer que quem não sabe perder, dificilmente saberá ganhar ( posso estar errada, mas até agora não descobri nenhum motivo para mudar o meu pensamento).
No Domingo foi dia de cumprir uma promessa: fui com o Afonso à nossa primeira visita ao estádio da Luz. Para quem nasceu benfiquista e descobriu mais tarde que afinal haviam outras cores com que me identificava mais, ir ao estádio da Luz era também um sonho de criança por cumprir e por isso fomos na realidade duas as crianças a realizar o sonho : eu e ele. Na verdade já conheço alguns grandes estádios. Já fui a Alvalade ( claro!) e também já fui ao Dragão. Ironicamente ao estádio da Luz nunca tinha ido.
Cumpre-se o sonho e lá estamos nós. Absorvo-lhe a admiração como se fosse a minha e o olhar de espanto enche-me o peito de gratidão por ter tomado a decisão de o levar ( culpa da madrinha Sofia, que está sempre atenta a estas oportunidades de realizar os sonhos dos miúdos) . É um estádio grande, que dá a sensação de espaço aberto, de imensidão, de ser abraçado pela tal família benfiquista que nos acolhe e nos convida a festejar com ela. Uma casa que dá a sensação de pertença e sem dar por isso, no calor da euforia do efeito, já gritava golo em plenos pulmões, na espectativa de que o miúdo nunca mais se esqueça daqueles momentos em que saltava no ar, feliz, com a sensação de pertencer a um grupo, a um movimento, a algo com que se identifica.
Foi um bom jogo, que lhe permitiu, na primeira parte, mirar tudo quanto o rodeava e na segunda, gritar a plenos pulmões a sua alegria. Saí satisfeita e com vontade de voltar. Um bom programa de Domingo! Fica-me na vontade o objectivo de os levar aos dois, na tentativa de que aprendam a respeitar as decisões um do outro, alternando entre as visitas a Alvalade e a Luz. Porque é possível gostar da festa, do espectáculo e partilha-lo em conjunto, cedendo aqui e acolá às preferências e cada um. Ontem, fomos apenas mais duas papoilas saltitantes!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Organizar as ideias...

Setembro é sempre um mês "desgraçado". Desgraçado porque a juntar aos turnos que normalmente faço para sustentar a minha vida, acresce a turbulência (boa) do novo ano escolar e dos opções a tomar, que influenciarão a vida dos meus pelo próximo ano. Este ano a juntar a esta festa que não é de vindima, mas que podia ser ( porque até ao lavar dos cestos, tudo conta) tenho ainda a "simples" tarefa de me "livrar" do último restolho da vida antiga e transformá-lo em vida nova, ou seja, estou finalmente de mudanças para a casa que verá o meu futuro...

Com tanta coisa para gerir e organizar, tanta tralha que não sei onde se gerou ( poderia jurar que a tralha aparece por geração espontânea) por mais que tente é-me quase impossível não ter os cabelos praticamente todos em pé, por estes dias... na verdade tem-me valido o espaço, que já vou conseguindo novamente dar, a coisas de que gosto mesmo muito. Dêem-me concertos, museus, espectáculos e actividades que mantenham viva a minha necessidade de conhecimento e eu serei feliz! 

Já conhecia a Byfurcação não sei bem de onde ( provavelmente do facebook ou de algum comentário de alguma amiga) e já tinha prometido a mim mesma que não me escapariam estes espectáculos. A ideia de peças de teatro em espaços históricos e culturais ( que temos tantos e tão bonitos e às vezes mal aproveitados) é daquelas que eu poderia dizer " esta ideia podia ter sido minha", mas não foi e ainda bem porque se fosse provavelmente não passava de uma ideia! Pois foram os vouchers do SAPO que me deram essa oportunidade e eu não desperdicei! Duas semanas seguidas, dois espectáculos pela Byfurcação: A volta ao mundo em 80 dias - para os miúdos - e Pedro e Inês - para mim.

Confesso que estava com um pouco de medo da peça dos miúdos: Já que o meu Afonso não é rapaz de estar quieto muito tempo, sem uma sala propriamente dita, o medo de que fugisse " atrás de uma borboleta" em vez de assistir à peça era muito. Mas até nisso o espectáculo está bem montado ( encenado que se diz??!!) e eles andam às voltas, nunca quietos, num jardim, atrás dos actores que captam muito sábia e facilmente o interesse do público. Adoraram, todos, e eu também. Melhor ainda foi ter ficado com mais um livro para ler nas noites de Inverno e com muita coisa nova para visitar, já que estar no espaço do Museu Nacional de História Natural e Ciência ( a casa do "tio Rex") nos aguçou a curiosidade!

Mas bom, mesmo muito, muito bom, foi assistir ao Pedro e Inês, na Quinta da Regaleira. Os jardins, a iluminação do espectáculo, o espectáculo em si, o ambiente que se cria, com os cenários improvisados e naturais e claro! a história da "nossa" Inês de Castro, a rainha de Portugal, coroada depois de morta!

Talvez ser uma apaixonada pelas histórias por trás da história me tenha ajudado a conhecer melhor esta "lenda" e talvez a minha paixão por terras de Coimbra também tenha ajudado, não sei... Mas uma vez que me pediram, aqui vai um resumo do que supostamente aconteceu a este casal de namorados em 1300 e troca o passo...:

D. Pedro, filho de D. Afonso IV e Beatriz de Castela, como todos os futuros reis, casar-se -ia com a filha de nobre de sangue real que mais favorecesse o Reino de Portugal. Casou-se primeiro com Branca de Castela, que viria a repudiar por incapacidade física e mental. Depois seria escolhida D. Constança, também de Castela e com ela, no séquito das aias apresentou-se D. Inês de Castro. Como o coração não conhece razões de estado, Pedro e Inês apaixonaram-se e nem as  manobras da princesa D. Constança, nem os filhos D. Luís que viria a falecer uma semana depois do parto e D. Fernando, nem tão pouco as preocupações de D. Afonso IV em relação a esta paixão os conseguiram separar.

 D. Afonso manda exiliar D. Inês para Trás-os-Montes mas  "não separou os apaixonados que comunicavam entre si por cartas levadas e trazidas secretamente. Quem fazia o serviço de correio,  eram os almocreves que transportavam mercadorias de cidade para cidade, atravessando coutos e concelhos, segundo ordem dos burgueses seus patrões. Os almocreves levavam consigo as cartas de D. Pedro para Inês. Foi assim que o amor de Pedro e Inês, longe de perturbar-se ou amortecer, se tornou mais sólido e capaz de superar quaisquer obstáculos e adversidades. "

D. Pedro acabou por conseguir trazer D. Inês para Coimbra e viveram felizes em Santa Clara, depois da morte de parto de D. Constança. Tiveram 4 filhos, Pedro e Inês,   e D. Afonso IV, com receio de possíveis guerras de sucessão entre seus netos e de influências futuras de Castela no reino, aproveitando uma caçada de D. Pedro, que o fez ausentar-se de Coimbra, cede às pressões dos conselheiros e manda matar Inês, em 1355, decapitando-a.

D. Pedro cega de raiva e com o apoio das gentes do norte inicia uma guerra civil a que  põe termo logo de inicio por intervenção de D. Beatriz, sua mãe. Mas não esquece e depois da morte de D. Afonso IV, é coroado rei (em 1357) e  dá caça aos assassinos da sua Inês, mantando-os em público e organizando um banquete em honra da matança.

D. Inês foi transladada para  o mosteiro de Alcobaça, depois, para  um dos dois túmulos que D. Pedro mandara construir ( um para si outro para Inês) . Diz-se que o cortejo foi enorme, sempre com o povo a chorar e a aclamar a rainha e que ao chegar a Alcobaça , Pedro que supostamente teria casado com ela em 1354, declarou-a rainha, obrigando os nobres à cerimónia do beija mão ( blheccc)...

Reza a história que Pedro foi um bom rei, justo, que gostava de dar de comer a quem tinha fome. Fernão Lopes define D. Pedro como um rei " justiceiro, generoso, folgazão, amado pelo povo e de grande popularidade. A sua morte o povo dizia que «ou não havia de ter nascido, ou nunca havia de morrer». "

Curioso e irónico, no meio de tudo isto é que D. Fernando, o neto que D. Afonso IV queria proteger, ter querido ser herdeiro do trono de Castela o que nos custou guerras e quase a perda de independência. D. Fernando foi o ultimo da sua dinastia, mas a que se seguiu, a Dinastia de Avis, levou ainda o cunho de D. Pedro, sendo que D. João I era o único filho que restou, ilegítimo, sem ser do sangue de D. Inês, filho de uma tal Teresa Lourenço, da qual pouco ou nada se sabe ... giro, não??!!!



quarta-feira, 10 de setembro de 2014

De árvore a pedra


 Foto: De árvore a pedra...




Riscos e rabiscos no ar, feitos na solidão de um movimento sem caminho onde possa haver expansão. Sem direção o vento sopra, para lado nenhum e não se sabe onde poderá ir. Se me tornar mais forte viro pedra, rocha dura, onde tudo embate e nada entra. Aí não haverá vento que sopre que me faça voar e permanecerei, inerte. Sem nada e com tudo para não voltar a enrolar-me nas voltas soltas que os pontapés alheios podem trazer. Por enquanto mantenho-me árvore, de folhas ao vento, caindo uma a uma, para fazer de tapete a quem passa. Presa às raizes, cresço lentamente , em silêncio, dando voz ao vento que passa. Talvez depois de morta se realize o desejo, de não voltar a mexer-me mais... mas por enquanto os frágeis ramos que bamboleiam no vento que passa agarram-me fortes à vontade de ser pedra e resistir, intemporal, permanecendo...

domingo, 7 de setembro de 2014

Coração de menina

Gosto de ser menina. Gosto da criança que renasce em mim quando me sinto segura. Gosto da liberdade de poder ser ingénua, de poder abandonar-me da suspeita, correndo, de bracos abertos para a sinceridade.
Gosto das feridas boas que ficam depois da disputa saudável por uma brincadeira.
Gosto dos tempos livres, da música que o vento canta quando temos a pureza para o poder ouvir. Gosto de gente pura. Gente que ouve, que adivinha, gente que pergunta porquê e conta histórias, sinceras.
Gosto do orvalho que cai no frescor da manhã. Gosto de risos partilhados e de lágrimas contidas no abraço de alguém. Gosto tanto de coisas simples que a simples suspeita do complexo me faz paralizar, parar de amar, por decisão, decreto, declaração. Porque só as crianças conseguem mandar no coração. 




Publicado originalmente a 5 de Outubro de 2013 aqui

sábado, 6 de setembro de 2014

Hoje "esbardalhei-me" .  Num olhar superficial e técnico entendi de imediato que não era coisa de monta, sem necessidade de grandes cuidados ou desinfecção.  Uma vulgar escoriação que não merecia mais do que uma limpeza e o mar estava ali tão perto. Levantei-me num ápice,  com o olhar focado no ângulo que estava a ver e que queria captar com a minha máquina, não sem antes comunicar num inglês "macarronico" com uns franceses que passavam, assistiram à cena e se preocuparam, aconselhando-me a fazer o resto da descida a pique sem as sandálias que me levaram ao chão.  Tirei a fotografia,  descansei a preocupação dos meninos e lembrei-me : há mais ou menos 2 semanas o Rodrigo fez uma ferida praticamente igual e o tratamento foi exactamente o mesmo, esperar que sare. Tecnicamente correcto mas desprovido de um sentir para a dor, que essa é diferente em cada um de nós e não se vê,  é necessário aprender a desvendá-la. Nada como a experiência traumática para nos lembrar como dói o quê... ainda assim, quando é para aprender a dor é bom que seja a fazer algo que se gosta, tendo alguém nosso a quem dar a mão ou tal como eu, com uma paisagem magnífica. 

Percorremos o litoral alentejano, hoje, desde a sua ponta mais Algarvia, em Odeceixe, até Troia, sempre com o sentido em grandes amizades que nos esperavam, quer num lado, quer no outro. Gosto de percorrer caminhos que nos devolvam origens, reconhecimentos mas também novidades ou o naturalmente desconhecido. As estradas estão melhores, talvez apenas as melhoras possíveis,  mas é bom reconhecer as cores e os cheiros do Alentejo em  paisagens que ainda desconhecia.

Foi um dia bom, cansativo,mas bom, que deu para matar as saudades e mostrar aos miúdos este nosso Alentejano,  para que lhes fique marcado, tal como ficou a mim para que lhe possam replicar as  maravilhas quando partirem para formar o seu próprio mundo no lugar que escolherem para ser o seu.

Por enquanto apenas lhes diz "passeio" mas são as sementes que lhes plantamos que vão dar origem, no futuro, a um significado para a vida.

A mim também me marcou, este passeio, como marca sempre a natureza, mais que não fosse pelas fotos dentro da máquina e pelo joelho, a querer fazer lembrar uma menina de 5 anos...

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Fragilidades

Lembro-me de ti, de cada vez que o meu mundo pára para respirar. Os dias correm, com a agitação da minha vida, que continua com as suas subtilezas , tristezas e alegrias. A vida continua , mas eu lembro-me ti.
Lembro-me num sorriso que passa noutro rosto, nuns óculos, que passam embelezando uns outros olhos, mas onde eu vejo e quero ver os teus. Lembro-me de ti num gesto perdido no meio da multidão, mas que podia ser teu.
São os teus gestos que melhor me restam na memória. Sinto-te ainda dentro das minhas memórias, tal como éramos antes. Antes da distância. Antes das palavras que não dissemos se transformarem em granadas que impediram no meu coração uma acelerada corrida contra o tempo.
Lembro-me de tudo, das tuas tentativas para voltar, dos meus erros. Errar e saber, agora, que se errou, dói mais que a distância que me ensinei a suportar vendo-te, por todo o lado: nas ruas, nas avenidas, nos espaços meus,







que só quero preencher contigo. E do fogo com que apaguei a solidão, resta um rastilho, um pequeno rastilho  porque sei, agora, que me queres e virás ensinar, de novo, o que será um amor...






Publicado originalmente a 18 de Setembro de 2013



Fragile by Sting on Grooveshark

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Na mão certa




Podia dizer tanta coisa... A feira tem sempre muito que contar e muito que dizer mas as histórias mais vale vivê-las do que contá-las. Para além do sempre igual mas sempre diferente de luzes, feirantes, compras, regateios e bebidas, ficam os amigos que encontramos ou quisemos tentar encontrar, as exposições e os projectos do passado para o futuro e de futuro. Fica-me sobretudo a certeza que quero pagar para ver o Pedro a cantar, num palco onde a sua grandeza não seja abafada por outras distracções e onde cada letra e composição suas sejam aclamadas com o devido valor que tanto merecem. Ainda assim foi um concerto gigante, quer em tamanho quer em constantes improvisações. Da Ana não falo, nem posso, porque preferi uma mesa de amigos, mas conhecendo o recinto como o conheço e já tendo ouvido a alma dela a cantar não trocarei um recinto fechado por um aberto, onde o potencial de nos fazer vibrar é metade do que estariamos à espera. Quanto ao Pedro, não sei porque raio demorei tanto tempo a perceber a vontade de ouvi-lo cantar ao vivo... A feira, para além de outras coisas tem também disto, grandes artistas a custo zero, que aumentam em muito tudo de bom que já por cá existe.

Diz-se que depois da feira vem o natal, que não consegue haver, no entretanto, e para nós, outra festa tão grande como esta (há o aniversário do rodrigo, vá!) . Mas eu faço as minhas contas e parece-me que este ano vai haver, para nós, uma festa quase tão grande como esta...está tudo em preparação e a casa já tem quase, quase, a porta aberta, o jardim voa na minha imaginação e o natal está distante demais para poder marcar a próxima história a existir.





segunda-feira, 1 de setembro de 2014





Tenho visto falar por aí falar no Setembro tal como eu o sinto. Setembro é para mim o Dezembro dos anos comuns. É a altura em que os anos mudam, a altura do ano que marca o ritual de passagem para o algo mais. É a época em que se organiza tudo, em que tudo se constrói ou se sonha, para um futuro com os pés no chão. É a época das folhas em branco onde se podem escrever caminhos que poderão vir ou não, onde cada letra terá o significado de futuro e de aprendizagens, de coisas novas por descobrir. Hoje em dia, Setembro tem sabor a responsabilidade, a vidas que dependem de escolhas minhas. É o fim do tempo em que tudo nos é possível e os sonhos sobraram das ideias para os dias de calor. Setembro tem para mim o sabor das decisões, das incertezas mas da vontade de continuar, sempre, mesmo quando não se sabe o caminho a seguir. Setembro sabe-me sempre a futuro...



...Dezembro só vem depois, quando já tudo tem começado, com o frio e as recordações a saltar aos olhos no crepitar de uma lareira acesa para aquecer as emoções a fazer lembrar um Verão que nunca nos chega ...



 






E foi Dezembro
Dito
Em tua voz
Que as minhas mãos
Colheram
Devagar.

E foi Dezembro
Escrito
Quando a sós
Tudo disseste
Quase
Sem falar.

Foi um palco
Vazio
A acontecer
No frio
Que se ergueu
Dentro de nós.

Uma distância
O mar
Que se estendeu
A separar da minha
A tua mão.

E foi Dezembro
Inteiro
A anunciar
A solidão
Dos dias
Por nascer.

E foi Dezembro
À chuva a reviver
As pedras
E os rios
E os luares.

Os nomes
Que vestiam
Os lugares
E os sonhos
Repartidos
Que não fomos.

A coragem
Nascida
De aceitar
A verdade de ser
O que hoje somos.

E foi Dezembro
Vivo
Na roseira
Despida
No silencio
Do jardim.

E foi Dezembro
Ainda na cegueira
Das asas de uma ave
Que há em ti.

Foi um tempo
De amantes
A aprender
Que não deve esquecer-se
O verbo amar.

Ou um inverno
Apenas
A perder-se
Da primavera
Do primeiro olhar.
 
 
Música: Luís Represas
Letra: Soledade Martinho Costa
In: "Cumplicidades" 1995
 



sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Em tempo de festa

Parei nos 68 a um "cagagésimo" do IMC ideal. Não que tenha parado o caminho para atingir o objectivo a que me propus mas porque decidi soltar um pouco as "amarras". Uma ida à capital que não me permitiu levar a marmita atrás ( e a oferta, nos comes e bebes, acaba por ser sempre a mesma, muito pouco compatível com a minha dieta) e a chegada da feira, ditam a pausa nos próximos dias.

A feira. O marco no calendário de quem nasceu em Grândola e que determina, sem sombra de dúvidas, o fim do tempo de Verão. Mesmo que existam ainda férias para se viver, é certo que os dias não saberão ao mesmo tempo de Verão que até aqui. Já iniciámos a época de diversões ( ninguém consegue aguentar os miúdos depois que o som se começa a propagar pela vila, e eu entendo isso) o que me leva de volta exactamente às mesmas emoções que encontro nos meus filhos, nas suas expressões, naquele nervoso miudinho de querer ver tudo e experimentar tudo, como se a feira se fosse esfumar, diante dos seus olhos a qualquer momento. Eles ainda não sabem, mas eu já sei, que há coisas que se vão repetir incessantemente no tempo até deixarem de ter as mesmas cores, as mesmas vibrações, até deixarem de produzir aquela sensação indiscritível que são os dias de feira enquanto somos miúdos. Os intervalos anuais, que agora lhes parecem um tempo infinito vão começar a encurtar e para além das mostras de artesanato, que vão mostrando o que se faz, e do turismo, que vão mostrando o que se fez, tudo o mais se resume a reencontros, de gente que aproveita estes dias para se reencontrar com a criança que foram outrora ou com os amigos, que para além das distâncias estão sempre perto porque ficam dentro, bem dentro, do coração. Talvez seja por isso que nos dias de feira me lembro quase sempre de quem me faz falta mais perto, e nesses dias faço das tripas coração para os encontrar. Nem que para isso os objectivos mais imediatos fiquem um pouco esquecidos. Afinal, as festas devem fazer parte da vida, sempre, e quando são poucas devem ser aproveitadas no ideal das capacidades.  Que venha, a maior feira festa do Litoral Alentejano, que eu estarei cá à sua espera.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Nos mínimos

Saímos disparados como se de uma cisão de um núcleo atómico se tratasse. Separamo-nos a alta velocidade, chocando com outros , por aí. De tanto chocarmos aposto que muitas vezes parecemos galinhas. É assim agora. O tempo deixou de ter tempo para nós.
Passo os dias cuidando do que não é meu, deixando os meus, a alta velocidade. Tenho saudades da calma, dos meus dias, da paz e do sossego confortável de um canto onde possa estar, eu e os meus. O que dantes me era agradável fazer hoje não passa de uma obrigação a contra-gosto, necessária para manter de pé a estrutura familiar que criei. Criei e não seguro. Sinto-me como uma triste peça atómica navegando no espaço à procura do seu núcleo, perdendo energia de cada vez que a distância que fica entre o sonho e a realidade, chocam no meu pensamento. Custa-me que os senhores da conjuntura gastem as preciosas peças que ainda vão tendo, em contas mal feitas. Que nos façam sair disparados, por toda a parte, sofrendo ( que iremos, a longo prazo, gastar mais do que eles querem que produzamos agora).
Não sonho com férias, nem com luxos, nem tão pouco com qualquer das coisas que sonhava anteriormente. Sonho comigo, com os meus filhos e com o tempo que lhes nego em prol de uma conjuntura estranha que pouco mais me dá do que trabalho.
É difícil por estes dias, manter de pé mais do que esta vontade e a esperança cega de que melhores dias virão. Sonho com o tempo em que terei tempo e em que o tempo será gasto não a ganhar mas a perder: a perder-me naquilo que é meu, naquilo que me dá prazer, no que é a razão de manter de pé a esperança. Não quero chegar a lado nenhum. Quero ficar onde estou, vivendo, em vez de sobreviver aos ataques serrados a tudo o que define a qualidade de uma vida. Talvez peça demais dadas as circunstâncias, mas os dias passam, seguros de si, e a vida fica por cumprir.
São os mínimos, sr ministro, são os mínimos... São os mínimos que não se cumprem, que esgotam os enfermeiros, esses mínimos que o sr teima em não cumprir...

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Party time...

Cefaleia ligeira, boca a saber a papel de música...humm, suspeito que se confirma, ontem foi dia de festa!!
Ora aí está uma coisa que já não acontecia à algum tempo e deu para tudo ( às vezes os dias podem ser enormes, sem darmos por isso) . Família,  diversão,  dia da asneira ( não houve dieta para ninguém) encontrar amigos que parecia estarem perdidos nas distâncias do tempo mas que afinal estão mesmo ali à esquina da vontade de os encontrar e risos muitos sorrisos e gargalhadas ( tão bom para a alma) . Pelo meio ainda matei a saudade dos alvos e pontarias e confirmo que ainda era moça para atirar certeiro ( aguardo ansiosa a chegada do paintball !!!) .
Parabéns Francisco, a tia adorou o teu aniversário :) .

sábado, 23 de agosto de 2014

Alecrim aos molhos

"Alecrim,  alecrim aos molhos por causa de ti choram os meus olhos..." .

Até ontem cantava esta letra como uma outra qualquer popular sem lhe conhecer o significado. Ontem fiquei a conhecê-lo no seu mais íntimo sabor. 

Sempre gostei de cozinhar desde que isso não se tornasse numa tarefa rígida ou uma obrigação.  Quando digo rígida refiro-me a cingir-me sempre às mesmas receitas ou ao que vem escrito nas ditas. Mas ontem, para não variar exagerei! Gosto de ervas de cheiro, de temperos e de "inventanços" que combino à maluca como se fossem poções mágicas que depois nem sempre me saem apuradas.
A Vera passou por cá,  no seu caminho de férias e decidi fazer uma receita nova, sem carne, mesmo ao gostinho dela. E o aspecto que tinha? Bom, muito bom!! tão bom que quando descobrimos que alecrim em excesso amarga, até nos deu vontade de chorar...é que os olhos também comem e só o aspecto quase chegou para ficarmos alimentadas. ( Nós tentamos, que nos pareceu um crime deitar fora uma coisa com um aspecto mesmo bom, mas na realidade, amargava até às lágrimas)

Como é lógico,  não me fico por aqui e já tenho tudo a postos para o 2 round, só que desta vez só com um "cheirinho" de alecrim, porque para amargar, já cá cantam muito mais coisas!!

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Em zona de rochas!

Tinha prometido que lá voltariamos, e voltámos. Escolhemos aquela praia, o ano passado, para celebrar o meu aniversario. É engraçado como se pode fazer alguém feliz com tão pouco que se lhe dá e que sabe tão bem a todos. Desta vez fomos 5, a nossa família de Verão:  mãe, os filhos, o sobrinho e o sempre amigo António.
Tento sempre esquecer-me do horário, nestes dias, e fazer de conta que estou de férias.  Apenas a alguns km e mudamos de cenário: as praias têm rochas, há espaços diferentes onde se pode brincar e até a areia é diferente ( é um pó que se entranha em tudo e aposto que para o ano, quando formos repetir a visita ainda há vestígios desta areia em algum espaço do meu carro - sim! É verdade, não primo pela organização dentro do meu veículo) . Mas houve espaço para muitas fotos, banhos, brincadeiras e ainda fomos descobrir que as pedras vão ficar lindas na decoração do jardim que já andamos a magicar.
Estivemos na vieirinha em Sines, onde não encontramos vieiras, mas encontramos calhaus e demos uso à ( segundo me contam que eu já não vim a tempo de ouvir) velha máxima do meu avô: para casa, até pedras!
E foi vê-los, como se não carregassem já coisas suficientes, a trazer os calhaus, escolhidos com tanto gosto, para o nosso futuro jardim.  Belos dias, é destes que eu adoro!!!!

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Sem ti

É assim que vai ser – disseste. … e abalaste. Eu abalei-me na tua ausência. ( abalam-me sempre as tuas ausencias). Adormeci no vazio de não te saber. Adormeci,  no abraço das tuas memórias.  Abalei-me no sonho de te ter meu, de te saber o sabor. ( sabes-me a bom, a muito, a quero mais).Sabem-me a demasiado longas as tuas ausências. E fica sempre para depois, um dia, aquele em que me acordas, em que o teu abraço me preenche todos os espaços vazios. Os espaços que só se enchem com as tuas formas, que só se sentem completos com o molde que lhes dás.  Vejo-te ao longe ainda,  mas mesmo ao longe continuas a encher-me as medidas que são as tuas – mas são minhas – e que sem ti são disformes,  sem brilho, sem força,  mas que se abalam na tua presença, pedindo que vejas para lá de olhar, que sintas, que toques, que me amalhes, nas malhas do calor do teu corpo, para que todos os dias do meu calendario sejam dias de nos completarmos. Só assim. Sem ti falta-me a melhor parte de mim…


[ aqui ]

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Coisas lindas !

Ando com ele para trás e para a frente há muito mais tempo do que o desejaria. Não porque nos faça mal a um ou a outro mas porque, geralmente quando gosto de uma coisa prefiro consumos rápidos. Talvez esteja diferente, talvez seja apenas a tão falada " idade" ou talvez seja o meu tempo que, dividido por muito mais solicitações ou preocupações se torna curto para o ler a falar connosco.

Perguntaram-me um destes dias se estava a gostar dele. Habituados que estão a ver-me mudar as cores das capas como quem muda de turnos, à espera da resposta, a conclusão foi imediata: " não deves estar a gostar ou já o terias lido" . Na verdade, a reacção após a pergunta foi a minha reacção comum quando não sei o que hei-de responder : fiquei parada ( a pensar ) mas a resposta veio "se nunca leste nenhum, não leias este primeiro". E eis como se pode ter uma opinião errada quando nos precipitamos a fazer juízos de valor.
A primeira parte é sobre o amor e a eminente preocupação de o perder. Perder alguém que se ama é de tudo, o pior que nos pode acontecer, aquilo de que mais medo temos. Que me perdoe, mas não gosto muito de falar sobre isso, e a ansiedade espelhada nas letras que se vão derramando pelas páginas em branco, fez-me pensar que o desespero lhe pudesse ter feito perder o jeito. Mas não! Passa-se a fase má e ele volta, tal como sempre o li, a perder-se em pormenores e pensamentos sobre coisas em que a maior parte das pessoas não pensa ou pelo menos não diz que pensa ou não perde tempo a pensar. E é disso que gosto tanto! De me sentir identificada naqueles pensamentos, é passar do riso ao "espera lá, como é que ele chegou a este conclusão? onde é que foi que me perdi? onde é que não consegui seguir o raciocínio?"

Estou a gostar, bastante, apesar da critica não ter sido a melhor, quando saiu. Ainda não acabei, e não me importo, gosto de ir apreciando com calma as crónicas, uma a uma, conforme me vão aparecendo, página a página, sem pressas...

Parabéns Miguel! A p?=)(?)(/&#$&#" da tua vida é mesmo linda de se ler!


 Distrairmo-nos é batermos o pé. Naquela teimosia de dizer: " Enquanto cá estou, escuso de fazer o que só faria sentido se ninguém morresse, a começar por mim". Escrever é uma maneira de fugir que não se consegue só através do pensamento. É esquisito: é o acto de escrever palavras que faz com que outras sejam puxadas até, a certa altura, ficarmos surpreendidos com o que acabámos de dizer.
Cada palavra não é uma ponte, porque as pontes são coisas apenas justificadas pelas coisas ( obviamente mais importantes do que elas) que ligam. É como as cerejas: cada cereja é uma delícia e a diferença entre não comer nenhuma e comer uma é, digamos, 7 mil unidades de " assim sim", enquanto a diferença entre comer uma ou duas não é mais do que 5 mil.
Não chega lembrar nem querer: é preciso inventar o que a nossa alma nos pede, que não existe feito neste mundo - precisamente para que as almas trabalhem nisso muito tempo. E não se ocupem tanto com o que não interessa.
Em suma, queremos sempre, pelo menos, três coisas: mais, melhor e mais bonito. Há outras que também queremos - mais depressa, mais conforme o que queríamos, mais eterno, mais fixo e , ao mesmo tempo, mais constantemente surpreendente -, mas nada disso existe na vida, em estado bruto, pronto para consumir.
É preciso passar pelos livros - por tudo o que não existe; pelo que está exagerado; pelo que é mais fingido do que vivido - para poder dar valor ao (muito) pouco que deveras existe.

da crónica O mundo incompleto em COMO é linda a puta da vida de Miguel Esteves Cardoso  

Coisas lindas

Ando com ele para trás e para a frente há muito mais tempo do que o desejaria. Não porque nos faça mal a um ou a outro mas porque, geralmente quando gosto de uma coisa prefiro consumos rápidos. Talvez esteja diferente, talvez seja apenas a tão falada " idade" ou talvez seja o meu tempo que, dividido por muito mais solicitações ou preocupações se torna curto para o ler a falar connosco.

Perguntaram-me um destes dias se estava a gostar dele. Habituados que estão a ver-me mudar as cores das capas como quem muda de turnos, à espera da resposta, a conclusão foi imediata: " não deves estar a gostar ou já o terias lido" . Na verdade, a reacção após a pergunta foi a minha reacção comum quando não sei o que hei-de responder : fiquei parada ( a pensar ) mas a resposta veio "se nunca leste nenhum, não leias este primeiro". E eis como se pode ter uma opinião errada quando nos precipitamos a fazer juízos de valor.
A primeira parte é sobre o amor e a eminente preocupação de o perder. Perder alguém que se ama é de tudo, o pior que nos pode acontecer, aquilo de que mais medo temos. Que me perdoe, mas não gosto muito de falar sobre isso, e a ansiedade espelhada nas letras que se vão derramando pelas páginas em branco, fez-me pensar que o desespero lhe pudesse ter feito perder o jeito. Mas não! Passa-se a fase má e ele volta, tal como sempre o li, a perder-se em pormenores e pensamentos sobre coisas em que a maior parte das pessoas não pensa ou pelo menos não diz que pensa ou não perde tempo a pensar. E é disso que gosto tanto! De me sentir identificada naqueles pensamentos, é passar do riso ao "espera lá, como é que ele chegou a este conclusão? onde é que foi que me perdi? onde é que não consegui seguir o raciocínio?"

Estou a gostar, bastante, apesar da critica não ter sido a melhor, quando saiu. Ainda não acabei, e não me importo, gosto de ir apreciando com calma as crónicas, uma a uma, conforme me vão aparecendo, página a página, sem pressas...

Parabéns Miguel! A p?=)(?)(/&#$&#" da tua vida é mesmo linda de se ler!


 Distrairmo-nos é batermos o pé. Naquela teimosia de dizer: " Enquanto cá estou, escuso de fazer o que só faria sentido se ninguém morresse, a começar por mim". Escrever é uma maneira de fugir que não se consegue só através do pensamento. É esquisito: é o acto de escrever palavras que faz com que outras sejam puxadas até, a certa altura, ficarmos surpreendidos com o que acabámos de dizer.
Cada palavra não é uma ponte, porque as pontes são coisas apenas justificadas pelas coisas ( obviamente mais importantes do que elas) que ligam. É como as cerejas: cada cereja é uma delícia e a diferença entre não comer nenhuma e comer uma é, digamos, 7 mil unidades de " assim sim", enquanto a diferença entre comer uma ou duas não é mais do que 5 mil.
Não chega lembrar nem querer: é preciso inventar o que a nossa alma nos pede, que não existe feito neste mundo - precisamente para que as almas trabalhem nisso muito tempo. E não se ocupem tanto com o que não interessa.
Em suma, queremos sempre, pelo menos, três coisas: mais, melhor e mais bonito. Há outras que também queremos - mais depressa, mais conforme o que queríamos, mais eterno, mais fixo e , ao mesmo tempo, mais constantemente surpreendente -, mas nada disso existe na vida, em estado bruto, pronto para consumir.
É preciso passar pelos livros - por tudo o que não existe; pelo que está exagerado; pelo que é mais fingido do que vivido - para poder dar valor ao (muito) pouco que deveras existe.

da crónica O mundo incompleto em COMO é linda a puta da vida de Miguel Esteves Cardoso  

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Eles

Escreveu na mão o que queria dizer para que não esquecesse. Queria ser honesta. Queria não se esquecer de todas as necessidades de dizer. Queria que ele soubesse que não se importava do que se havia passado e que gostava, gostava muito do que ele era e de como era. Gostava sobretudo de como era e do que sentia quando estava com ele. Tinha um testamento de coisas para dizer e tinha receio de não conseguir.
Enquanto limpava a cinza da lareira e juntava as brasas que sobravam do calor da noite,  pensava nas mil e uma possiblidades de lho dizer. Era-lhe difícil ( nem sabia bem porquê) expressar-se, e por isso escrevera na mão.
Olhou o relógio. Era tarde.  Ele saira zangado, muito zangado. Dissera-lhe que não queria, que não iria perdoar,  mas fora no calor da discussão.  No fundo, o que queria era que tivesse sido ele a dizer-lhe, a mostrar,  para que não fosse enredada nas conversas mesquinhas de quem não sabia o que se passava por trás das portas da morada que era a deles.  Os dois, só, deveriam ter confiado no que os unia.
Não queria que ele fosse de outra forma,  queria que fosse exactamente como é mas sobretudo que confiasse nela. Mesmo quando parecia não lhe dar importância,  era a opinião dele a que mais fazia eco na cabeça e no coração.  Queria que ele ficasse velho ao lado dela, para que se rissem os dois de todas as loucuras que haviam de fazer até lá chegar.
Ele continuava ausente. Perdida nos pensamentos abriu as mãos e repetiu em voz alta o que lá estava escrito

Quero ficar.Quero estar ao teu lado até quando não me queiras aqui, especialmente nessas alturas, que é quando mais precisas.  Sem ti o meu sorriso não tem metade do brilho e os dias não têm metade da cor. Os meus segredos são os teus segredos e não quero ter segredos para ti…
A porta . O barulho das campainhas.  A silhueta que ela conhecia melhor que ninguém.  Ele estivera sempre ali.


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Um dia ainda escrevo um livro

Um dia ainda escrevo um livro. Alimentei esta ideia desde cedo, na juventude, quase como um sonho daqueles que ficam cravados nos quadros de madeira, em algum lugar, género mantra de motivação ou coisa assim... Um dia ainda escrevo um livro... Não imaginei é que o fizesse tão cedo e no meio de tanta confusão na minha vida. O meu Versejando pelos caminhos da Alma, foi quase um tudo de escape ( you tube?)  para a situação limite a que deixei chegar a minha vida . Garanto-vos foi dos melhores tubos de escape que podia arranjar. Fazer algo novo, ouvir , pela primeira vez, alguém a ler "coisas" que tinha escrito, sentir-me na pele de quem realiza um sonho. Imparável!!!

O pior veio depois, e ao contrário daquilo que pensava até então, pode vir sempre algo pior. Foi assim com a decisão que tomei, que devia ter sido tomada anos antes (mas não foi e por isso as consequências foram e são muito mais difíceis de suportar) e foi assim com a promoção do livro. Acho sinceramente que um dos grandes males da nossa sociedade de hoje, é esta verdadeira loucura por objectivos: todos temos que ter objectivos, todos , sem excepção, temos que perseguir esses objectivos e, pior ainda, ser os melhores na chegada ao topo da pilha de objectivos, ou o nosso valor será limitado ( e se pelo caminho não ficarmos a nadar em dinheiro, somos no mínimo uns falhados) . É assim! Se pensar friamente sobre isso, poder-me-ei transformar  em fanática dos anti-objectivos e eu detesto fanatismos ( mas gosto de palavras fortes e colocadas no sitio certo). Ter objectivos é bom, é saudável, dá rumo e interesse ao caminho. O que não é bom é alcançar esses objectivos passando por cima de tudo e de todos, sem respeitar o que está ao lado, sem lhe dar o devido valor e sobretudo, se lhe dar a mão se ele cair no caminho, mesmo que isso implique parar um pouco na nossa caminhada e ao nosso lado pode estar muita gente, muitas vezes gente que à partida, não nos é nada. Mas é preciso reconhecer também quem nos atrasa, sempre e constantemente com o intuito de nos passar por cima, para que não deixemos que esses seres nos impeçam de sermos nós e nos desviem do nosso caminho.

O livro abrandou. O caminho tornou-se demasiado violento, demasiado competitivo, demasiado esgotante e sobretudo deixei de tirar prazer no que fazia. Fazia-o para atingir o objectivo de...vender ( e eu lá me importaria se ele não se vendesse???!! não! o importante foi tê-lo escrito) por isso parei. O que não se sabe é que depois do Versejando ainda escrevi mais livros, que, como já é uso em mim, foram excelentes maus negócios!  Livros, textos, coisas sem nexo e sem sentido...muito escreve esta Alma! A quem é que "isto" sairia assim??? Eu tenho uma ideia, mas não as posso partilhar todas... ainda assim há muita coisa que posso partilhar e por agora partilhei aqui o rascunho original de onde saiu o livro da feiticeira ( não foi bem este, que esse livro já teve muita história para contar, mas como disse atrás: não se pode partilhar tudo!) . Como todos originais é imperfeito, tem muitas gralhas, podia ter sido melhor, mas pelo menos é genuíno e sobretudo é livre ( podem ler, se quiserem). E Juro-vos que toda esta conversa me surgiu devido à noticia da morte de um homem, este homem, que protagonizou, um dos filmes que a par com o Corvo, marcaram o meu crescimento como pessoa ( sim , eu sei , são filmes que não têm nada a ver, mas eu sou capaz de ir dos 0 aos 100 em 3,19 segundos). Esse filme foi o clube dos poetas mortos e ensinou sobretudo que quando não podemos ser aquilo que realmente somos, o melhor e mais seguro para o bem de todos é gerir os conflitos de interesses de forma pacífica e com o menos perdas possíveis para o ambiente que nos rodeia. Complicada esta analogia? talvez, mas tal como não entendo que um homem que gostava de nos fazer rir se tenha enforcado, também não percebo como é que alguém tenha dificuldade em entender que de tudo o que mais importa é a vida, desde que seja vivida em plena consciência do ser, mesmo que para isso seja necessário recolher à casota e viver protegido até haver ambiente a favorecer. Aprendi também, que mesmo quando as coisas correm mal, há sempre formas de transmitirmos o nosso apreço e sobretudo o quanto foi importante a presença de alguém na nossa vida...








[original daqui ]

Um dia ainda escrevo um livro...

Um dia ainda escrevo um livro. Alimentei esta ideia desde cedo, na juventude, quase como um sonho daqueles que ficam cravados nos quadros de madeira, em algum lugar, género mantra de motivação ou coisa assim... Um dia ainda escrevo um livro... Não imaginei é que o fizesse tão cedo e no meio de tanta confusão na minha vida. O meu Versejando pelos caminhos da Alma, foi quase um tubo de escape ( you tube?)  para a situação limite a que deixei chegar a minha vida . Garanto-vos foi dos melhores tubos de escape que podia arranjar. Fazer algo novo, ouvir , pela primeira vez, alguém a ler "coisas" que tinha escrito, sentir-me na pele de quem realiza um sonho. Imparável!!!

O pior veio depois, e ao contrário daquilo que pensava até então, pode vir sempre algo pior. Foi assim com a decisão que tomei, que devia ter sido tomada anos antes (mas não foi e por isso as consequências foram e são muito mais difíceis de suportar) e foi assim com a promoção do livro. Acho sinceramente que um dos grandes males da nossa sociedade de hoje, é esta verdadeira loucura por objectivos: todos temos que ter objectivos, todos , sem excepção, temos que perseguir esses objectivos e, pior ainda, ser os melhores na chegada ao topo da pilha de objectivos, ou o nosso valor será limitado ( e se pelo caminho não ficarmos a nadar em dinheiro, somos no mínimo uns falhados) . É assim! Se pensar friamente sobre isso, poder-me-ei transformar  em fanática dos anti-objectivos e eu detesto fanatismos ( mas gosto de palavras fortes e colocadas no sitio certo). Ter objectivos é bom, é saudável, dá rumo e interesse ao caminho. O que não é bom é alcançar esses objectivos passando por cima de tudo e de todos, sem respeitar o que está ao lado, sem lhe dar o devido valor e sobretudo, se lhe dar a mão se ele cair no caminho, mesmo que isso implique parar um pouco na nossa caminhada, e ao nosso lado pode estar muita gente, muitas vezes gente que à partida, não nos é nada. Mas é preciso reconhecer também quem nos atrasa, sempre e constantemente com o intuito de nos passar por cima, para que não deixemos que esses seres nos impeçam de sermos nós e nos desviem do nosso caminho.

O livro abrandou. O caminho tornou-se demasiado violento, demasiado competitivo, demasiado esgotante e sobretudo deixei de tirar prazer no que fazia. Fazia-o para atingir o objectivo de...vender ( e eu lá me importaria se ele não se vendesse???!! não! o importante foi tê-lo escrito) por isso parei. O que não se sabe é que depois do Versejando ainda escrevi mais livros, que, como já é uso em mim, foram excelentes maus negócios!  Livros, textos, coisas sem nexo e sem sentido...muito escreve esta Alma! A quem é que "isto" sairia assim??? Eu tenho uma ideia, mas não as posso partilhar todas...

Ainda assim há muita coisa que posso partilhar e por agora partilhei aqui o rascunho original de onde saiu o livro da feiticeira ( não foi bem este, que esse livro já teve muita história para contar, mas como disse atrás: não se pode partilhar tudo!) . Como todos os originais é imperfeito, tem muitas gralhas, podia ter sido melhor, mas pelo menos é genuíno e sobretudo é livre ( podem ler, se quiserem). E Juro-vos que toda esta conversa me surgiu devido à noticia da morte de um homem, este homem, que protagonizou, um dos filmes que a par com o Corvo, marcaram o meu crescimento como pessoa ( sim , eu sei , são filmes que não têm nada a ver, mas eu sou capaz de ir dos 0 aos 100 em 3,19 segundos).

Esse filme foi o clube dos poetas mortos e ensinou-me sobretudo que quando não podemos ser aquilo que realmente somos, o melhor e mais seguro, para o bem de todos, é gerir os conflitos de interesses de forma pacífica e com o menos perdas possíveis para o ambiente que nos rodeia. Complicada esta analogia? talvez, mas tal como não entendo que um homem que gostava de nos fazer rir se tenha enforcado, também não percebo como é que alguém tenha dificuldade em entender que de tudo o que mais importa é a vida, desde que seja vivida em plena consciência do ser, mesmo que para isso seja necessário recolher à casota e viver protegido até haver ambiente a favorecer. Aprendi também, que mesmo quando as coisas correm mal, há sempre formas de transmitirmos o nosso apreço e sobretudo o quanto foi importante a presença de alguém na nossa vida...





terça-feira, 12 de agosto de 2014

Ensaio da cegueira


Bato à porta, levemente.
A cegueira é um estado de espírito em que, muitas vezes, nos recusamos a olhar para nós próprios. Tento ver para além da matéria, que me é dada a conhecer sensorialmente, e vejo apenas a minha própria venda. A bola, dum cristal puro, que representa a mais interna e valiosa de todas as minhas riquezas, transmite-me a luxuria que eu quero apagar para sempre da memória. 
Bato à porta com mais força.
A cegueira mantém-se, transformando agora aquilo que vejo, naquilo que quero ver. 
A porta torna-se no alvo a abater, ao murro e ao pontapé. Pretendo que sucumba para não ter que lidar com a incapacidade de simplesmente bater e ter que aceitar que as portas só abrem, se houver uma chave certa. 
Não ter que aceitar a própria luxuria, que existe em todos os seres, que existe em mim. Dispo-me com a venda, para não me ver. Vivo e sinto tudo, cega de mim, para não aceitar as próprias limitações. E o corpo pede a alma que lhe faz parte e a alma descaracteriza-se sem o corpo que me transporta. 
A bola deixa de prever, um futuro.
A porta mantém-se fechada, e eu, desesperada, grito para que me ouçam, para que ouçam, o corpo que se separou da alma, a alma que deixa de fazer sentido perante a porta fechada.
Imagino, e a imaginação alimenta-me a sede e a fome de um corpo.
Cai a venda. Procuro-me. Encontro-te?
Bato à porta, levemente…







Smille!!

Hoje é um dia feliz! Apesar de andar literalmente submersa devido ao trabalho, tenho conseguido, com algumas regras, dedicação, planeamento e alguma disciplina ( não pode ser muita senão sinto-me presa), seguir a dieta à risca. Hoje ultrapassei uma barreira que já pensava intransponível - finalmente desci a barreira dos 70 e quedo-me, por agora nos 69,4!!

Já me vou parecendo comigo :) ( smille!)

Para isso muito têm contribuído as receitas com muita fruta e alguns vegetais, que aprendo com os blogs que vou lendo ( ao lado, no blog) . Ainda bem que existe a internet, que nos permite aceder a tanta informação, quando mais precisamos dela !!!

Sinto-te

Não  lembro essas tuas mãos.
Não com os olhos abertos.
Das tuas mãos lembro a ternura
A explosão dos sentidos despertos
Tocas-me como se piano fosse
Atrás do pano fechado
Ninguém viu, ninguém o ouve
E o piano toca, motivado
A velha carcaça, sem som
Tenta em vão,
ao dedilhado
Mas só a mão que sei tão doce
Produz o efeito sonhado
Fecho os olhos.
Sinto.Sei.
Elas voltam p’ro meu lado
no seu toque aveludado
O som preenche os espaços
Não é choro, nem é fado
É a criança em mim
Em ti,
Criação, (preocupado??)

É o amor quem toca aqui
Num seu tom de harmonia
Cala-se para não ferir
o saber,
No gerir da sinfonia
O corpo renasce em transe
ao dedilhado saber
Como se sempre esperasse
As tuas mãos (as do amor)
para o fazer renascer
Neste fogo desenhado
Para que te aguarde
Vivemos em sintonia
num silêncio
(disfarçado de cobarde)
Em mim, arde…
Foram as tuas mãos
Amor
quem me trouxe até aqui
Toca, cria , enche a tela
Que eu sinto-te
Abraçado a mim…
 
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Passito a passito

A cada dia que passa vou dando pequenos passinhos ... já dizia o Neil Armstrong quando pôs os pés na lua : " É um pequeno passo para o homem mas o grande passo para a Humanidade ( ou qualquer coisa assim muito parecida...) .

 Sei quais serão  as cores de todas as paredes, as janelas a aumentar para deixar entrar a luz ( uma casa sem luz natural é um refugio e não uma verdadeira morada) e os pequenos pormenores de decoração, que me deixam verdadeiramente entusiasmada ( são os pequenos pormenores que fazem a diferença - sempre - são eles que dão o toque de personalização e fazem daquela a nossa morada, nos caracterizam e nos dão a sensação de pertença, de reconhecimento, de paz ) .

Escrevia eu há uns anos num livro que não chegou a ver a luz ( ou pelo menos, não nos moldes mais comuns) :

"   As coisas simples revestem-se de mantos de luz que iluminam os dias cinzentos. Segredos são partes de nós, como a própria carne que nos mantém vivos. Sonhos são janelas abertas para outras dimensões que também elas fazem parte da vida. Essa magia que invade o corpo e o transforma em muito mais do que biologia. São a outra parte de um eu que só em sonho é livre..." ( d`O livro da Feiticeira)


está na altura de começar a dar corpo aos sonhos, a trazê-los para o outro lado da dimensão viver, da dimensão sentir. E é passo a passo que vou tomando conta do meu lugar, da minha vida, do que sonhei ser e sentir  num lugar construído a pensar na família, no meu lugar... Já só falta o jardim, mais difícil de prever e planear porque a natureza terá que dar o seu contributo para que esta aprendiz de jardineira faça brotar da terra todas as sementes que plantar. Organizar espaços, belezas, flores , arvores de fruto, ervas aromáticas e outras coisas que farão a diferença, a minha diferença. Não vejo a altura de poder começar, pondo finalmente fim à fase do planear.
Displaying o livro.doc.

domingo, 10 de agosto de 2014

A sul mas a oeste

Gostava de ter ido ao Sudoeste. Não que ainda me fascinem aqueles ambientes de pó e confusão,  mas porque estive lá,  no seu nascimento e nos primeiros anos e sou uma saudosista. Em 18 anos muita coisa muda. Eu sei o que mudou na minha vida e gosto de ver as mudanças que vão ocorrendo,  nas coisas e nas pessoas, enquanto a vida se vai fazendo.  O ser humano fascina-me! E é nos aglomerados de pessoas que se pode observar o melhor e também o pior. Assim também se aprende, mais que não seja aprende-se pela observação aquilo que se quer ou não , para a nossa vida.

A música leva-me a qualquer lado ( já se sabe) e sou capaz dos maiores sacrifícios só para ouvir alguém que goste.

Não fui porque neste momento as minhas prioridades são outras e para atingir o objectivo a que me propus tenho que trabalhar e poupar,muito. Estou a falar da minha nova casa, claro! De me desfazer do peso velho, abrir as portas a uma nova oportunidade e construir os meus sonhos.  O fogão já está no lugar, prontinho a debitar receitas o mais naturais e naturistas possíveis. Neste momento mudei o meu foco para a cama dos meninos.  Reaproveitar é a palavra de ordem. Conseguir fazer o que quero com aquilo que já cá tenho. Agora vai ser vê-la a aprender a pintar madeira. A cama preta vai dar lugar a uma cama branca e azul,  assim eu consiga ,com as minhas mãos, transformar o sonho em realidade ( nunca fui boa em trabalhos de mãos ).  Talvez tire umas fotos do antes, do durante e do depois,  para sempre que me der na cabeça  - que não consigo fazer qualquer coisa - me possa lembrar que com paciência e vontade, tudo se faz, mesmo que para isso seja necessário algum sacrifício.  

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Vou pintar tudo da cor dos meus sonhos...

Os dias têm passado um a um e, suavemente, as soluções têm-me encontrado como se fossem as peças de um puzzle que depois de encontradas quase que nos questionam: mas tu nãos vês que eu estive sempre naquele lugar?
Já tenho o fogão e agora , entre corridas para os postos de trabalho que me seguram a vida em pontas, vou imaginando as cores para cada espaço. Sei exactamente o que quero, mas há sempre lugar em mim para os receios de não ter ponderado todas as melhores soluções. Talvez seja o que aprendi nos últimos anos que me leva a não correr logo atrás da primeira ideia fantástica que me vem ao pensamento. De qualquer das formas, estes são uns tempos maravilhosos; tempos em que me permito fazer planos, sonhar, imaginar espaços e decorações, imaginar vivências nos espaços e ir vivendo feliz com esta calma de poder escolher o que mais me agrada. Talvez antes, todo este compasso de espera me "desse no nervo" e me fizesse apitar como se fosse uma panela de pressão prontinha a largar tudo...mas agora aprendi que viver tudo calmamente, ponderar e tirar o gosto de cada pequena escolha que me parece positiva, me dão uma calma e uma paz que necessito ainda mais do que um novo telhado meu, que me cubra por fim a insegurança. Viver devagar, penso eu, é quase uma necessidade fisiológica a que me obrigo, depois da velocidade a que tenho vivido na última década...

Palavras que não combinam

Amor e medo, palavras que não combinam...mas se o amor não nos impulsiona para a frente o que faço eu com o medo que me engole as entranhas e devora em doce mastigar lentificado a voz que se perpetua por entre os códigos mágicos que transcrevem, hoje, as linhas da minha paixão... (?) confundem-me as palavras que se fundem na minha imaginação onde o medo se transforma em gente, gente que sente, que se descontrola por sentir.

Parada sonho-te, amada sonho-me e o medo conforta-me a solidez da quietude. Penso-te em sentimento. Quieta

As confusões invadem-me o espirito e as dúvidas pousam , como se aves fossem, nos ramos que o medo criou no meu agir. Fico, filosofando sobre as questões de um porquê e paro, quando a felicidade começa a atingir o meu ponto de ação.

Saberá o amor a medo?

Amor e medo, palavras que não combinam...

Sou uma árvore imóvel, à espera que o amor venha fazer o ninho nos ramos que o medo criou...
 



in Diário de Voo

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Há fumo, mas não há fogão

Nunca na vida pensei que comprar um fogão desse tanta dor de cabeça ( bem, na verdade a dor de cabeça vem do café que ainda não consegui beber hoje, já que este posto de trabalho não tem nem lugar, nem maneira de me fazer chegar café que me acabe com este peso) . Não consigo decidir se é melhor investir num novo ou esperar que a sorte me traga em mãos uma oportunidade em segunda mão ( isso implica esperar, e não tenho muito tempo para...). Independentemente da escolha que fizer, chego à conclusão que quando chegamos ao limite de deixar que um fogão nos dite as possibilidades futuras no imediato, percebo que provavelmente estarei no limiar das coisas bizarras.